Luciano Vacari
O Brasil era o único, entre os grandes produtores de aves e ovos do mundo, que ainda não tinha sido acometido com a gripe aviária em granjas comerciais de produção, era. Infelizmente na última sexta (16/05), o primeiro caso foi confirmado pelas autoridades sanitárias no município gaúcho de Montenegro, região metropolitana de Porto Alegre. A granja teve seus 17 mil animais abatidos em emergência sanitária.
O vírus H5N1 surgiu nos bosques de Hong Kong em 19797, e de lá para cá tem causado estragos em todos os continentes, sendo o mais recente nos Estados Unidos, fazendo com que os preços do ovo disparassem mundo afora. Mas calma, o consumo de carne de aves e ovos não causam problemas à saúde humana, mas a confirmação da doença gera temor social e desemprego.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de carnes de aves, sendo que das 15 milhões de toneladas produzidas anualmente, 65% ficam no mercado interno, o restante viaja pelo mundo, e o estado do Rio Grande do Sul é o 3º maior produtor do país. Agora imaginem o tamanho do impacto dessa crise localmente, já que a maioria das granjas brasileiras são de pequenos produtores e cooperados.
Com a confirmação da virose, coube à autoridade sanitária nacional comunicar o mundo, e aí começou uma reação em cadeia. China e União Europeia foram os primeiros a vetar a carne nacional, enquanto aqui no Brasil, produtores e indústrias vivem as incertezas do tamanho impacto do problema. De início, além do embargo comercial, um isolamento com um raio de 10 quilômetros de raio foi implantado na região, como a 1ª barreira de contenção.
O fato é que, pode ter sido nosso primeiro evento epidemiológico dessa natureza, mas certamente não será o último, e temos a obrigação de estar preparados. Como? Aprendendo com as lições do passado e nos preparando para o futuro.
Talvez o ponto mais importante desse episódio foi a rápida resposta das autoridades sanitárias, local, estadual e federal. O foco foi identificado rapidamente, e dentro de um movimento coordenado, ações de mitigação foram tomadas, o local isolado, e neste momento o serviço de monitoramento e controle está buscando a origem do vírus. Isso mostra que temos um grande serviço de defesa agropecuária, sob os cuidados do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil.
Outro ponto extremamente relevante é a necessidade de revermos os acordos sanitários. Não dá para um país do tamanho do Brasil sofrer medidas de restrição em toda sua extensão. Em caso de emergência sanitária, o embargo deve ser restrito ao município afetado, no máximo a região do foco.
E por fim, esse episódio nos mostra a importância da Secretaria de Defesa Agropecuária do Brasil, e dos auditores fiscais agropecuários. Essa é a 1ª barreira, o serviço de monitoramento, vigilância e defesa. Precisamos equipar cada vez mais esse serviço. Treinar cada vez mais os auditores fiscais. Dar cada vez mais condições para que o serviço seja prestado com excelência.
O Brasil é um grande produtor de alimentos, e nos orgulhamos de colocar comida na mesa de bilhões de pessoas ao redor do mundo. A diplomacia abre mercados, negocia acordos. Mas a garantia da qualidade dos nossos produtos é dada pelo serviço de defesa, e ele precisa ter o reconhecimento que merece.
*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e CEO da NeoAgro Consultoria.

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