Fernando Valente Pimentel
A indústria têxtil e de confecção brasileira representa um dos mais expressivos exemplos de como um setor pode atuar como catalisador do desenvolvimento regional, promovendo transformações econômicas e sociais muito além dos limites das fábricas. Com sua notável capilaridade e capacidade de gerar empregos em diferentes níveis de qualificação, tem se mostrado fundamental no estabelecimento de polos produtivos que impactam positivamente estados e municípios em todas as regiões do País.
Esses centros industriais construíram, ao longo do tempo, ecossistemas completos, que incluem desde a produção de fios até confecções de alto valor agregado, gerando milhares de empregos diretos e sustentando extensa rede de serviços auxiliares, como logística, design e marketing. Nas áreas nas quais estão concentrados, esses núcleos trabalham de modo integrado e complementar, criando sinergias que fortalecem toda a cadeia produtiva. Assim, têm sido fundamentais para a interiorização da indústria e a redução das desigualdades regionais.
A capilaridade da indústria têxtil e de confecção manifesta-se em múltiplas dimensões, a começar pelo incentivo ao empreendedorismo e a criação de postos de trabalho. Neste aspecto, destaca-se por oferecer oportunidades em diferentes níveis de qualificação, sendo particularmente importante para o primeiro emprego e a inserção feminina no mercado laboral. Outro impacto positivo relevante do setor é o fomento regional, impulsionado pelo fortalecimento do comércio, expansão do setor de serviços e atração de investimentos em infraestrutura, além do advento de instituições de ensino e pesquisa.
Um dos aspectos mais relevantes da indústria têxtil e de confecção é sua capacidade de gerar valor em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a produção das matérias-primas até a comercialização das peças finais. Esse ecossistema inclui a produção de fibras naturais, como o cultivo do algodão, e a fabricação de sintéticas e artificiais em modernas plantas petroquímicas, numa demonstração da diversidade e complementaridade do setor. O processo continua com o beneficiamento e processamento dessas matérias-primas, a fiação e tecelagem, a confecção de produtos, o varejo e uma ampla gama de serviços associados, como design, marketing e logística.
Para maximizar seu potencial como vetor de desenvolvimento regional, o setor enfrenta desafios importantes, que precisam ser equacionados. A competitividade demanda modernização tecnológica constante, qualificação contínua da mão de obra e redução de custos logísticos. A sustentabilidade emerge como outro pilar fundamental, exigindo a adoção de práticas ambientalmente responsáveis, economia circular e uso eficiente de recursos naturais. A inovação, por sua vez, requer investimentos em pesquisa e desenvolvimento, digitalização de processos e utilização de novos materiais e produtos.
O futuro da indústria têxtil e de confecção como motor do progresso regional depende da capacidade de adaptação às novas demandas do mercado e da sociedade. A Manufatura Avançada, a sustentabilidade e a economia digital apresentam oportunidades para reinvenção e fortalecimento dos polos, assim como os investimentos em educação e capacitação profissional, aliados a políticas públicas de apoio ao setor. A formação de arranjos produtivos locais (APLs) e o fortalecimento das cadeias de valor regionais são estratégias fundamentais para maximizar os benefícios socioeconômicos gerados pelo setor.
Todos os aspectos anteriormente enfatizados confirmam que a indústria têxtil e de confecção brasileira continua sendo um dos principais vetores do progresso regional, com capacidade ímpar de gerar empregos, valor e riqueza nos estados e municípios. Sua capilaridade e versatilidade possibilitam que atue como catalisadora de transformações socioeconômicas, contribuindo para a redução de desigualdades e o desenvolvimento mais equilibrado e sustentável em todo o território nacional. Seu fortalecimento contínuo, por meio de políticas públicas adequadas e investimentos estratégicos, é crucial para garantir que seu potencial transformador continue beneficiando comunidades em todas as regiões do Brasil.
*Fernando Valente Pimentel é o diretor-superintendente e presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

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