Onofre Ribeiro
Ninguém duvida que conseguimos destruir o Brasil nesses primeiros 18 anos do século 21. Foi o equivalente a um casarão velho cheio de puxadinhos e mal conservado que as gestões petistas conseguiram derrubar. Fizeram um favor em destruir um país velho como o casarão citado. Mas poderiam ter feito favor maior se tivessem um projeto de construção no lugar. Aliás, esse era o propósito inicial. A destruição foi pelo absoluto acaso da ignorância da tarefa e a reconstrução não estava nos planos.
O fato é que não havia projeto algum. Nem de derrubada e nem de reconstrução. Contudo, a grande questão que se coloca pro próximo governo a ser eleito neste ano, não é a de reconstruir. Aqui justifica estabelecer uma diferença filosófica crucial entre construir e reconstruir. Reconstruir significa recuperar o casarão antigo. Construir significa um projeto novo pro mesmo lugar. Mas em outros moldes arquitetônicos, urbanísticos, com melhores funcionalidades e absolutamente renovado.
Tomo a liberdade de voltar a um assunto já abordado aqui. A segunda guerra mundial. Aliás, esse assunto sempre me fascinou e acabei por estudá-lo com alguma profundidade. Quando a Alemanha invadiu a França em 1940, iniciou-se a destruição da capital francesa. Primeiro vieram os aviões lançando milhares de bombas. Destruíram as casas, as ruas, as praças, as igrejas, as escolas, os hospitais e todas as referências físicas tradicionais onde vivam e conviviam as pessoas.
Depois vieram os pesadíssimos tanques “panzer” alemães e destruíram tudo o que ficou de pé. Por fim, veio a infantaria, matou, violentou e destruiu as pessoas que sobreviveram às bombas.
Em 1945 a guerra acabou. Terminou a destruição. Começou a construção de uma nova cidade. Projeto novo muito maior do que a simples reconstrução. Durou até por volta de 1970 a nova construção de Paris e das principais cidades europeias como Berlim e Londres, destruídas durante a guerra. Elas se reinventaram!
O Brasil ainda está na fase dos bombardeios. Não acabou a destruição. Ela não se dá no plano físico das bombas. Mas numa lenta e programada destruição conduzida com extrema competência pelo Estado brasileiro. Através de suas instituições dos poderes executivo, judiciário, legislativo, ministério público e pelos corporativismos gerais que passam pelo funcionamento de toda a máquina pública e privada.
Quando acabar a fase dos bombardeios, que ainda levará alguns anos, espera-se que comece a construção da nação. Não mais nas bases antigas. Mas uma construção com projeto novo e funcional, moderno, respeitável e sustentável. Reconstruir seria voltar ao passado.
Uma nota dolorosa: não será na minha geração!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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