Eduardo Gomes
Com o dobro da dimensão do Brasil a Rússia é o maior país do mundo. Seu gigantismo vai muito além da área territorial e avança pelos campos militar, econômico, cultural, esportivo, histórico, científico e tecnológico. Apesar de tudo isso, dentre os principais destinos turísticos mundiais não há roteiros russos.
O líder Vladimir Putin quer fortalecer a indústria turística de seu país. O primeiro e mais importante passo nessa direção é a realização a Copa do Mundo de 2018. No Brasil não faltam críticos aos chamados investimentos podres - construção de estádios fadados a se tornarem elefantes brancos. Estão redondamente enganados os que pensam assim, pois o que na realidade quer Putin, nada tem a ver com o Mundial em si. Sua meta é usar a mídia internacional, que está empenhada na competição, para divulgar seu berço, e paralelamente a isso criar uma química sentimental entre o turista estrangeiro e a terra russa.
A Rússia, que é grande em quase tudo, perde de goleada – numa linguagem de Copa do Mundo – para a Espanha, no quesito turismo. Putin quer reverter essa situação e tem apoio político e social para tanto. Os russos desejam escancarar portas ao turismo internacional.
A percepção de Mato Grosso para o turismo não foi a mesma da Rússia. Se recuarmos a junho de 2014 encontraremos uma Cuiabá internacional sede de quatro jogos de oito seleções dos cinco continentes representados pelo Chile, Austrália, Rússia, Coreia do Sul, Bósnia e Herzegovina, Nigéria, Colômbia e Japão; ouviremos apaixonados chilenos enchendo nosso clima tropical com o refrão: Chi chi chi le le le.
Se recuarmos àquela época veremos a cidade invadida por milhares de turistas encantados com a beleza de sua arena, com o calor humano de sua gente, com seu cardápio, com a poesia do rio que passa ficando.
Cuiabá ganhou uma Copa do Mundo a preço ínfimo diante das portas que aquele evento da Fifa poderia nos abrir mundo afora. Governantes, parlamentares e o prefeito da época não souberam explorar o aspecto perene do turismo aos nossos nichos de roteiros no Pantanal, Chapada, Araguaia, florestas, cerrado, Cidade de Pedra etc. Não foram suficientemente competentes para criar a química sentimental que Putin ora costura e que conseguirá estabelecer de modo duradouro.
Fomos incompetentes na Copa do Mundo e mais incompetentes ainda após o apito final de seu último jogo. O belo postal dado por Cuiabá aos que a visitaram naquele evento nunca foi reavivado pelo governador Pedro Taques, que insiste na tecla da demonização do Mundial quando deveria canoniza-lo.
Por questiúnculas Mato Grosso perdeu a bola da vez que pingou na área. Preferiu a banheira, mas foi flagrado pelo árbitro da história. Agora, só nos resta o grito de admiração pelo gol de placa que Putin marcará.
Eduardo Gomes de Andrade é jornalista

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