Eduardo Gomes
Santarém, no ponto mais ao norte da grande longitudinal que liga o centro geodésico do continente ao porto do Tapajós na foz do Amazonas, é uma região onde germina a semente da desintegração nacional. Sede de um município com 17.898 km², área igual ao do nosso Poconé ou três vezes o tamanho do Distrito Federal, tem 296.302 habitantes com densidade demográfica de 12,87 habitantes por quilômetro quadrado. Assim é a bela cidade paraense - destino de parte da produção das commodities mato-grossenses - que tem sua vida social ligada aos rios; sua história, economia, cultura e tradição, também.
A população santarena vive para os rios e, até recentemente, vivia exclusivamente deles. Cidade tricentenária, Santarém formava um núcleo urbano isolado, embora buscasse a plena integração com o seu país. Tomei conhecimento de um fato interessante. Em 1970, quando soldados do 8º Batalhão de Engenharia de Construção ali desembarcaram uma alegria contagiante tomou conta da cidade. Fogos, músicas, danças e um sorriso coletivo inundou o cais. Moças, em delírio, abriam os botões de suas blusas mostrando a beleza de seus seios ao militares. Não se trava da mera chegada do efetivo que iria abrir a Santarém-Cuiabá (BR-163): aquela movimentação significava a independência, a consolidação da nacionalidade ora ameaçada, a abertura da sonhada porta ao amanhã.
A Santarém-Cuiabá (a nossa Cuiabá-Santarém) entrou no dia a dia santareno, sem que os rios fossem retirados dele. A cidade ficou plural, navega no azul do Tapajós e no escuro do Amazonas, e trafega pela pavimentada BR-163.
A cidade cresceu. O aeroporto foi para a vizinhança de Alter do Chão. Na aproximação, da cabine, pilotos dos jatos costumam brincar com os passageiros pedindo que olhem para baixo - onde a imagem de Santarém se mistura às águas – e que curtam o verdadeiro Santo Harém.
O que uma cidade distante 1.770 quilômetros de Cuiabá tem a ver com Mato Grosso? Tem tudo, principalmente em se tratando de Santarém, onde tantos mato-grossenses de Rondonópolis e outras regiões escolheram para viver e trabalhar, onde seu porto abre caminho para a nossa economia ganhar o mundo; e onde as águas dos nossos Teles Pires e Juruena transformadas em Tapajós engrossam o Amazonas.
A semente da desintegração nacional na bela Santarém foi disseminada por ONGs do exterior, que ali fincaram raízes. O ribeirinho humilde é aliciado por ongueiros, passa a receber um fixo financeiro mensal. Como se fossem encantamentos de botos os tentáculos dessas organizações criam cenários para luta de classes, para esfacelar o território tão bem criado por portugueses. No Marco Zero da Santarém-Cuiabá brota a chama para a internacionalização da Amazônia, assunto que passa ao largo dos governantes e das nossas Forças Armadas.
Eduardo Gomes de Andrade é jornalista

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