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14 Jul 2026 07:45

Gerações e futebol

Gerações e futebol
Onofre Ribeiro 1 Crédito: Reprodução
Na semana passada a seleção de futebol brasileira foi excluída da Copa do Mundo por simples derrota na partida contra a seleção da Noruega. Todo mundo sabia que dificilmente passaria daquela fase, fosse qual fosse o adversário. Isso é o que precisa ser compreendido num país onde o futebol sempre foi religião. O que mudou tanto ao ponto de justificar aquela fé no futebol se transformar em indiferença como foi nas últimas copas e nessa especialmente?
 
Pessoalmente acompanho os jogos das seleções brasileiras de futebol desde a vitoriosa de 1958, na Suécia. A perda de substância acumulou-se copa após copa. Mas nesta houve algo diferente. A geração de jogadores não é a mesma igual às anteriores e nem construiu uma liga com a sociedade. Sumiram das ruas as camisetas amarelas da seleção e as bandeiras sumiram também das casas e dos automóveis. A geração que jogou nesta copa foi um grupo genérico de jogadores cujas vidas estão estabelecidas no exterior.
 
Há muito perderam o contato com a realidade brasileira. Mas não é só isso. É a geração mesmo. Geração de jogadores novos da chamada geração Z. As empresas hoje enfrentam grandes problemas em obter a cooperação funcional dessa geração digital no trabalho. Falta espírito de carreira, de permanência no trabalho, enxergam o dinheiro como meio de adquirir bens e pouco mais do que isso. Na educação essa geração é problemática. Não considera a educação o caminho para a construção de um projeto de vida. A geração Z seria uma geração de transição entre as gerações anteriores que conviveram com as transições surgidas depois da guerra mundial de 1945.
 
As gerações anteriores passaram por profundas mudanças de um país atrasado para o país atual. Voltando à seleção de 2026, não seria o caso de esperar dessa o comprometimento obrigatório com a fé no futuro das gerações anteriores. Uma copa é uma copa. Um jogo é um jogo. Nada mais.
 
As gerações do futebol das gerações anteriores era mais raça e menos a técnica. Hoje tem mais técnica, mas não tem a raça e nem ligação com a representação do futebol como um valor cultivado pela sociedade brasileira. Claro que por detrás da construção e da montagem da seleção de 2026 existe um universo de política, de corrupção e de interesses apodrecidos. A questão não é mais o futebol. É o bastidor que conta na cúpula desse sistema esportivo.
 
O que imagino é que a próxima seleção de futebol será ainda mais jovem do que esta e mais descompromissada. Isso leva a pensar que jamais veremos a hipótese de uma possível vitória em copa do mundo. Cada vez mais um esporte que vai se perder na complexidade do mundo, dos interesses e, afinal, do interesse da própria sociedade brasileira. 
 
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.
 
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