Eduardo Gomes
Mato Grosso está com os dois pés num atoleiro profundo que poderá impedir sua caminhada e até mesmo seu respirar institucional nesse momento. Em sã consciência ninguém nega tal realidade. Pior é que isso acontece sob trevas, num lugar deserto onde não se ouve nada a não serem esporádicas sirenes policiais.
Não há normalidade num Estado onde secretários de governo são afastados ou presos em curto espaço de tempo.
Não se deve falar em legitimidade da Assembleia Legislativa de um Estado onde um deputado está preso e a maioria dos componentes da legislatura é investigada por diversas suspeitas de recorrente improbidade administrativa.
Não se pode dar crédito a um Tribunal de Contas do Estado no qual cinco de seus sete conselheiros estão afastados judicialmente, sendo que um cumpre duplo afastamento.
Não é normal o prefeito da capital enrodilhado em tantas acusações graves e paralelamente a isso a Câmara Municipal manter indiferença concentrando sua atuação na busca por mais volume de repasses para seu polpudo duodécimo.
Tudo isso é anomalia. Continuará sendo essa aberração ainda que alguns dos envolvidos nesse escândalo de proporções descomunais, lá na curva do tempo, provem sua inocência.
Não se chega a uma situação assim sem o envolvimento de empresários. Tudo isso é ainda mais facilitado pela maleabilidade oferecida pelos meandros interpretativos da nossa legislação criada propositalmente sob o lusco-fusco preventivo.
Nada disso, ou melhor, pouco do que se vê, aconteceria se tivéssemos um povo forte, determinado e verdadeiramente cumpridor de seus deveres legais, morais e cívicos.
Onde está a cidadania nesse momento? Cadê os jovens que aos milhares marcharam sobre Cuiabá em 2013 protestando contra o aumento da tarifa do transporte coletivo e, de quebra, contra a corrupção? Por que razão se vê tantos textos achincalhando Lula, tripudiando contra Aécio, massacrando Dilma, ora elogiando ao extremo ora jogando na fornalha do inferno o juiz Sérgio Moro, e não se lê por aqui sobre o atoleiro em que enfiaram Mato Grosso?
Não tenho competência também para julgar. Porém, isso não impede que em meu íntimo veja a ausência do povo nas ruas. Quais os interesses que se escondem atrás do fechamento das bocas?
Incompetente sobre veredito e longe dele, no povoamento de minha mente fica a nítida impressão que, por aqui, eleitos e eleitores são siameses. Aprendi na escola do mundo que não é bom se meter na relação entre irmãos. Que toquem o barco.
Eduardo Gomes de Andrade é jornalista

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