Política
29 Jul 2017 11:00

Gilmar Mendes nega interesse em disputar cargo eletivo, mas não descarta

Gilmar Mendes nega interesse em disputar cargo eletivo, mas não descarta

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, descartou a possibilidade de colocar seu nome à disposição da política para pleitear cargo eletivo nas Eleições 2018. Mas no linear da análise sobre o quadro, o ministro deixa nas entrelinhas sinais nessa via.

A negativa do ministro foi pontuada em entrevista à Rádio Capital, na sexta-feira (28). “Sou feliz onde estou hoje. Claro, no futuro a gente vai ter que discutir. Eu brincava, até pouco tempo, dizendo que ficaria no Supremo por 12 anos. Depois as pessoas vinham me provocar e perguntar e aí, quando o senhor vai embora? Eu respondia que eu tinha um compromisso com o PT e dizia enquanto eles estão aí, eu estou aqui”.

Em que pese críticas às posições do ministro, nos bastidores surgem rumores colocando o nome de Gilmar Mendes na seara da política.  

Mendes considerou, no entanto, não ter definido acerca de uma eventual saída da magistratura. “Acho que ainda tenho contribuição a dar ao Tribunal e devo participar desse processo de reinstitucionalização. E aí vamos ver o que iremos fazer no futuro", disse.

Nesse contexto, mencionou as vias abertas para que membros da Justiça adentrem na vida política.   

“Tenho a impressão de que isso vai, inevitavelmente ocorrer. Mas há de se falar em desincompatibilização. Quem quiser ser candidato, saindo do Judiciário, deve sair definitivamente e assumir isso. Da mesma forma, em relação aos membros do Ministério Público”, assinalou.

Acrescentou ainda que nesse caso, de ingresso na vida política, é necessário que os membros do Judiciário deixem a magistratura.

“Sei que há um movimento, por parte de algumas associações, no sentido de um certo licenciamento. Mas isso vai se prestar a abuso como conhecemos em outros países. A Jurisprudência do Supremo, tanto em relação aos membros do MP e a juízes, é claro, no sentido de quem quer ser candidato, deve deixar suas funções no tempo adequado”.

Disse ainda que não analisa com “boa impressão” a possibilidade de que membros da magistratura venham a substituir a classe política.

“Não tenho muita boa impressão da ideia de que podemos substituir a classe política por juízes ou promotores. Tenho até brincado, dizendo que considerando nossos padrões hoje de gestão, os juízes que administram os Tribunais em geral, e promotores também, se fossemos administrar o Deserto do Saara, em pouco tempo faltaria areia. Então, não acho que nós sejamos bons administradores e gestores”.

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