• Cuiabá, 13 de Novembro - 00:00:00

Governo Bolsonaro e especulações


Alfredo da Mota Menezes 

            Não se pode ainda dizer quais caminhos serão trilhados pelo governo Jair Bolsonaro. Como se está em momento de especulações transito por três delas.

            Fala-se que o presidente eleito vai buscar maior aproximação com os EUA nas áreas de comércio e militar. E, continua a especulação, se afirma que ele não olha com o mesmo olhar a relação crescente que o Brasil tem hoje com a China.

            Saiu editorial num jornal daquele país, China Daily, sobre esse assunto e escreveram que “o custo econômico pode ser duro para o Brasil”. Esse jornal é uma espécie de porta-voz do governo chinês e o tema foi tratado em um editorial, não em matéria comum.

            Sugerem que poderia comprar bens, que hoje compram do Brasil, em outros lugares do mundo. MT tem que prestar atenção nesse assunto porque é talvez o lugar do Brasil que mais perderia se a China buscasse novos mercados vendedores de soja e carne. E não esquecer que os EUA é o maior competidor do Brasil nesses produtos. Não se teria mercado ali também.

            Outra conversa que interessa a Mato Grosso seria a mudança da Embaixada do Brasil para Jerusalém. Assunto quente e polêmico no Oriente Médio. Até agora fizeram aquela mudança apenas os EUA e a Guatemala.

             E se os países árabes, que compram do Brasil muita carne bovina e frango, além de açúcar e minério de ferro, buscarem novos vendedores?  E se o mundo muçulmano, 1.6 bilhões de pessoas, reagir também?

            Outro tema. Pessoas ao redor do Bolsonaro dizem, ideia que merece aplauso, que o futuro governo vai investir mais no ensino básico, área que perde longe para as escolas particulares. Para isso, vai precisar de mais dinheiro. De onde tirá-lo?

            Falam que as universidades federais ficam com a maior parte dos recursos da educação. Que seria dali que se poderia tirar algum dinheiro para recuperar o ensino básico. Sei não.

            No passado o Brasil abandonou o ensino básico que foi tomado pelas escolas particulares. O mesmo não aconteceu com as universidades públicas. Elas são muito melhores que as particulares.

            Tirar recursos das universidades públicas não seria repetir o que se fez lá atrás com o ensino básico? Não haveria o perigo de enfraquecer o ensino nas universidades públicas e igualá-las às privadas que hoje estão, com exceções, lá atrás em ensino e principalmente em pesquisas?

            Como arrumar mais dinheiro para o ensino básico sem apequenar o ensino universitário público é que é o xis da questão. Falam até em cobrar mensalidades de quem pode pagar nas universidades públicas. Aqueles que não pudessem pagar continuariam com ensino gratuito. Um sistema de cotas diferente continuaria, portanto.

         Investir mais recursos no ensino básico é muito importante, mas sem sufocar as universidades públicas. Seria absurdo levar o ensino universitário público para o nível das universidades particulares, não seria não? Pior ainda se o ensino básico continuasse capenga. Ensino público na rabeira nacional e as escolas particulares dominando do ensino básico ao universitário?

 

Alfredo da Mota Menezes escreve nesta coluna semanalmente. 

E-mail: pox@terra.com.br    site: www.alfredomenezes.com