• Cuiabá, 19 de Novembro - 00:00:00

Empresário diz que Taques concordou com pagamento "adicional" de ex-secretário


Da Redação - FocoCidade

No complexo depoimento, e rico de detalhes, o empresário Alan Malouf, um dos protagonistas da Operação Rêmora que desmantelou esquema de desvios na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), destaca em trecho suposto aval do governador Pedro Taques (PSDB) para efetivar "pagamentos adicionais" a título de complementação salarial de indicado no primeiro escalão, no caso, Paulo Brustolin, ex-secretário de Estado de Fazenda.

Conforme a colaboração premiada firmada junto ao Ministério Público Federal, "relata a ação do grupo de empresários associados ao Governador e sobre a orientação deste, na montagem do primeiro escalão, com as indicações de Paulo Brustolin e Júlio Modesto (secretaria de Fazenda e de gestão, respectivamente)".

Segundo Alan Malouf, o montante salarial relativo cargo de Brustolin no Executivo de Mato Grosso, estava abaixo dos padrões aferidos até então ao profissional, que teria exigido complementação.

"Brustolin era diretor financeiro da Unimed local, tinha vencimentos de R$ 60.000,00 mensais e exigiu a complementação do salário a Pedro Taques que concordou com esse pagamento e pediu para Alan completar o salário e luvas, no valor de R$ 500.000,00. Júlio Modesto recebeu a mais R$ 25.000,00, a cargo de Alan até o momento de sua prisão, apontando, ainda, a possibilidade de testemunhas diversas corroborarem".

Nesse cenário, o empresário assinala a articulação que teria sido planejada para garantir o pagamento do montante supostamente exigido pelo ex-secretário.  

"O colaborador informou não poder fazer sozinho e contou com os demais associados para se encarregaram do pagamento em conjunto. O retorno ao grupo não foi obtido e os pagamentos foram cessados em 2015, sendo que Paulo saiu da administração no começo de 2016. O colaborador aponta que funcionários que trabalham e que trabalharam com ele teria condições de confinnar os encontros em que Paulo recebeu os valores. Paulo comprou um imóvel da construtora São Benedito."

Outro lado

"Conforme já declarado desde 2016, o governador Pedro Taques nega a prática do chamado “Caixa 2” em sua campanha eleitoral ao Governo de Mato Grosso em 2014 e tampouco autorizou vantagens indevidas a qualquer empresa durante o exercício do mandato. Apesar de citado por delator em acordo de delação premiada, Taques não é réu no processo da chamada “operação Rêmora” e terá direito a ampla defesa nos autos. O governador já constituiu advogados para atuar no processo e garantir que a verdade prevaleça."