• Cuiabá, 16 de Dezembro - 00:00:00

Decifra-me ou...


Sonia Fiori

Governador Pedro Taques (PSDB) cravou no dia 7 de outubro de 2018 uma derrota histórica, sendo o único chefe do Executivo estadual a disputar uma reeleição, e perder – considerando ainda outro fator: todos os governadores que disputaram a reeleição no Estado venceram no primeiro turno.

Foi assim com Dante de Oliveira, Blairo Maggi e Silval Barbosa, em trajetória rompida por Taques.

De procurador da República renomado, que se tornou ícone no combate à corrupção, levou na bagagem para o Senado em sua primeira eleição (2010), facetas como “mandar para a prisão o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro”, além de acumular feitos contra outros políticos envolvidos na esteira da corrupção, caso do ex-deputado José Riva.  

No Senado, se destacou em defesas como o novo Código Penal, e manteve posição invejável acerca de temas cruciais na política do país, em análises consideradas como “independentes”, mas sem dispensar alfinetadas no PT.

Eleito pelo PDT de Zeca Viana, hoje um de seus principais desafetos, assinou em 2015 ficha de filiação aos quadros do PSDB.

Rupturas na história de Taques

Taques chegou ao poder do Estado nas eleições 2014 com apoio de líderes do denominado Movimento Mato Grosso Muito Mais, integrado por nomes como Zeca Viana, Percival Muniz e Otaviano Pivetta. Todos no grupo do governador eleito Mauro Mendes (DEM).

O “estopim” entre Viana e Taques se deu em razão da interferência do Palácio Paiaguás no processo de eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Viana sempre sustentou promessa "quebrada" pelo governador, de que a eleição seria isenta de articulações do Executivo – o que não ocorreu.

O imbróglio foi tanto, que o presidente nacional do PDT tentou, em vão, reaproximar Taques e Viana. Em uma visita ao Palácio Paiaguás, à época, Carlos Lupi, acompanhado do presidente do PDT estadual, soube – segundo fonte, a decisão do governador de receber em seu gabinete somente o dirigente nacional. Bateu a porta a Viana. De lá para cá, o presidente do PDT caprichou em ser voz atuante da oposição à gestão Taques na Assembleia Legislativa.

O distanciamento com Otaviano Pivetta – que coordenou sua equipe de transição ao final de 2014, também se deu de início. No período, Pivetta chegou a anunciar à imprensa a possibilidade de cortes em secretarias do Estado, mas sua posição foi alijada por Taques.

Pivetta, prefeito de Lucas do Rio Verde, se distanciou ainda mais do governador em lances de insatisfação vinculados à atenção do Estado ao município (e municípios) e ainda em razão de discordar de decisões sob Taques em relação à política administrativa.

Bem parecido foi o contexto sobre o então prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz, sendo uma referência do PPS em Mato Grosso. Ao seu estilo à espreita, Muniz se isolou das ações a cargo do governador, preferindo “assistir de camarote” a evolução ou não da administração do tucano.

Mas o corte letal na relação se deu no período da pré-campanha deste ano, quando Muniz pontuava contrariedade à tese de apoio à reeleição do governador. Numa articulação em Brasília, o PPS passou ao comando do ex-secretário de Estado de Educação, Marco Marrafon, aliado de Taques. E Muniz, aderiu e levou correligionários ao PDT de Viana, fortalecendo os planos à eleição de Mauro Mendes.

São apenas alguns exemplos sobre a seara de ex-aliados que juntos, somaram forças nas eleições 2018 para encerrar o ciclo Pedro Taques no comando de Mato Grosso.

O contexto administrativo do Estado também pesou sobre a derrota. Ao longo de sua atuação como governador do Estado de Mato Grosso, Pedro Taques atravessou crises: econômica e política. Não soube gerir com destreza o poder de diálogo, e isso ficou nítido em episódios como a greve em torno da RGA de 2016.

A gestão Pedro Taques sofreu "arranhões" difíceis de apagar na esteira das Operações Rêmora – desvios na Seduc, Bereré, esquema no Detran; Grampolândia Pantaneira e por último, Operação Catarata.

Pontuou sempre em sua defesa as determinações de investigações, inclusive sobre ele mesmo no caso das escutas ilegais, mas não conseguiu acabar com a mácula da corrupção que atingiu sua administração.

Estudiosos tentam explicar o alto grau de rejeição personificada em Pedro Taques, forte ingrediente à sua queda, mas talvez a máxima do “você é seu pior inimigo”, ajude nas análises.