• Cuiabá, 09 de Dezembro - 00:00:00

Infraestrutura obrigatória


Onofre Ribeiro

            Nas duas últimas semanas voltaram as discussões em torno da já legendária ferrovia FICO, ligando Campinorte em Goiás a Lucas do Rio Verde em Mato Grosso. Já houve lançamentos da obra numa série de ocasiões e acabaram todos no leito de morte. O ministro da Agricultura Blairo Maggi trouxe o assunto à tona mais uma vez junto com parlamentares de Mato Grosso.

            Como tudo que diz respeito à logística de Mato Grosso é um assunto maltratado. Serve para os discursos eleitorais, mas não pode ser resolvido porque acabaria com o discursos de campanha. Naquela mesma linha da reforma agrária. O dia em que for resolvida mata a reeleição de um bando de defensores de palanque.

Os fatos são claríssimos e parecem distantes das propostas governamentais de hoje e do futuro. O mundo está se reposicionando geopoliticamente. Os ativos mais caros dos próximos anos serão alimentos, água, oxigênio e recursos naturais e minerais. Mato Grosso já se definiu dentro dessa equação. Tudo em altíssima escala.

            Portanto, tratar da infraestrutura de rodovias de ferrovias, de portos, de aeroportos é mais do que urgente. É estratégico. Mas não consegue se fixar no radar do mundo político o preparo do Estado para esse cenário. A pobreza dos propósitos é lamentável. Vamos só recordar que em 1975 o deputado federal Vicente Vuolo conseguir introduzir no plano nacional a construção da ferrovia Santa Fé do Sul – SP, até Santarém.

            Rodou, rodou e lá se vão 45 anos. Mal e mal chegou a Rondonópolis em 4 décadas e meia. A Santarém ninguém sequer imagina e a Vilhena nem pensar! Já não se fala mais hoje em dia em infraestrutura com dinheiro público. A corrupção somada com a ineficiência do Estado mata qualquer projeto que se pretenda construir.

            Independente do Estado incompetente e da falta de planejamento estratégico de nação ao Brasil, a realidade vem vindo do Oriente e do resto do mundo pra nos atropelar. Nos próximos anos metade da população mundial virá da India, da China, das ilhas do oceano Indico que estão em fase rápida de expansão. Urbanização e aumento de renda da população significa aumento da demanda por alimentos. Isso está acontecendo ano a ano e a pressão vai aumentar.

            Penso que a ferrovia FICO seja mais uma conversa eleitoral que morrerá no nascedouro. Mas enquanto ela e outros projetos de infraestrutura continuarem nessa maré de marcha a ré, mais atrasos veremos neste país pobre e semi-falido. Neste Estado, então...!

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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