• Cuiabá, 23 de Setembro - 00:00:00

Apagão ou Omissão


Ralf Rueda

Os indicadores de energia não mentem e não camuflam, revelam com exatidão dados técnicos e relevantes sobre o setor, em tese, o que as entrelinhas argumentam é que o Brasil precisa encarar com seriedade e compromisso o crescimento da produção de energia. Um país que se mantem na trincheira em busca de crescimento, não pode se dar ao luxo, de esbarrar em burocracia improdutiva.

Mato Grosso, assim como todos os estados da nossa nação, não pode correr riscos de voltar às trevas, nem por míseros minutos, quando o fornecimento de energia é interrompido milhões de reais se perdem em meio a esta condição arcaica. Não é possível retardar mais esse assunto, o momento é de pujança, frente aos inúmeros projetos já existentes de PCH`s (Pequenas Centrais Hidreléticas), ou mesmo, as CGH (Central Geradora Hidráulica), modelos hidro energéticos de baixo impacto ambiental e forte contribuição econômica e social, diretamente ligada ao desenvolvimento em suas diferentes formas.

O cenário se desenha assim, de um lado o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico destacou  após a reunião mensal, neste mês em Brasília, a necessidade de retomar as discussões sobre a implantação de novos empreendimentos hidrelétricos no país. A conclusão do CMSE foi baseada em diagnóstico do Operador Nacional do Sistema Elétrico de que a perda de regularização  do Sistema Interligado em consequência da expansão da oferta de energia baseada em usinas eólicas, solares e hidrelétricas sem reservatórios deve levar à maior dependência das estações chuvosas.

Ou seja, teremos que contar com ajuda de São Pedro, para não faltar energia? Não vivemos mais nesta época, Mato Grosso e o Brasil têm empresários e empresas com expertise para fazer crescer, manter e ampliar a produção e geração de energia, assim como melhorar sua distribuição. Neste cenário, a ONS garantiu que o equilíbrio entre oferta e demanda está assegurada, ao apresentar na reunião os resultados do Plano da Operação Energética de 2018 a 2022. Mas recomendou que fossem valorizados os atributos das fontes de energia nos leilões de expansão, para dar maior robustez ao sistema.

Sendo assim o risco de déficit de energia previsto pelo CMSE para 2018, com base no Programa Mensal de Operação de julho, é  de 0,3% para o Sudeste/Centro-Oeste. Já que em junho, as chuvas ficaram abaixo da Média de Longo Termo, e a Energia Natural Afluente, do SIN para o mês foi a terceira pior do histórico de 88 anos, com 68% da MLT. Para o fim de julho, o armazenamento equivalente dos reservatórios deve atingir 36,1% no Sudeste/Centro-Oeste, 57,1% no Sul, 34,0% no Nordeste e 69,3% no Norte.

Não podemos continuar patinando contra o desenvolvimento, pois energia é o pilar de crescimento e sustentação deste país. Assim, sendo fica o alerta para Mato Grosso, ou melhor, para autoridades e poderes que parecem não ter a visão necessária para o desenvolvimento sustentável, o melhor, ou pior exemplo deste cenário é a Portaria que trava projeto de 40 PCHs e retrai investimentos da ordem de R$ 2 bilhões, número já alertado pelo  Sindenergia. Este retrocesso nasce aqui em nosso Estado, através da Portaria 03/2018 do Ministério Público Estadual, que pode ter o poder de fazer com que a iniciativa privada desista de seu empreendedorismo.

Isto seria um caos com tiro certeiro de morte junto ao desempenho do setor econômico de todos os segmentos. É lamentável que investimentos pesados possam migrar de Mato Grosso para outros Estados, seria muita incompetência. Precisamos de energia, no entanto, não iremos neste momento rogar apenas a São Pedro então, para nos livrar do apagão ao mandar chuvas, mais também devemos interceder para que a sabedoria e o bom senso cheguem aos nossos representantes, retirando a escuridão de suas vistas.

 

Ralf Rueda é conselheiro da ABRAPCH – Associação Brasileira de PCHs e CGHs.