• Cuiabá, 21 de Julho - 00:00:00

 Turismo em terras indígenas


Alfredo da Mota Menezes

             Não se explora o turismo indígena no Brasil. É aquele turista que quer conviver com a cultura e o modo de vida de um grupo de silvícola. Desfrutar de suas histórias e lendas sobre a criação do mundo. De sua comida, dança e folclore. E se poderia ainda praticar pesca e caça ao modo indígena e, claro, pagassem por isso. 

            Ou você acha que muitos turistas estrangeiros querem ver asfalto e viadutos de São Paulo mais do que uma autêntica cultura indígena no meio ambiente em que vive aquele povo?

            Na Austrália e Nova Zelândia esse tipo de turismo é uma realidade e rende recursos para os indígenas. Podem ter uma vida decente, sem depender de ajuda de ninguém. Nos EUA, índios exploram cassinos e hotéis em suas terras, ganham dinheiro e distribuem uma quantia mensal a cada membro da tribo.

                  Tem ONG hoje no mundo, daquela que defende o índio e o meio ambiente, que incentiva o turismo indígena. O motivo principal nem seria tanto o dinheiro que os índios ganhariam, seria manter aquele grupo em seu habitat natural. Estando ali, seriam duas as vantagens. 

            Não precisaria morar na periferia de cidades, perder seu vínculo cultural e ser quase um pária em lugares estranhos e ainda, ficando em seu lugar de origem, ajudaria na defesa do meio ambiente. O turista quer viver o mundo natural do índio e quer vê-lo preservado. O índio faria a defesa do meio ambiente para atrair mais turistas.

               Além, é claro, da remuneração pelo serviço. Com esse recurso, no caso brasileiro, não precisaria ficar dependendo de migalhas de ajuda governamental. Teria meios suficientes, vivendo em seu lugar de origem, para seu sustento. 

            A situação do índio no Brasil leva à busca de alternativas como essa. Se tem cerca de 800 mil índios no país. Uns 500 mil vivem em suas terras, 300 mil vivem descolados em periferia de centros urbanos. Possuem 109 milhões de hectares de terras ou 1.1 milhões de km2 ou 13% do território do país. Uma imensidão de espaço para explorarem o turismo indígena.

            Veja a situação dos índios em comparação com a dos não índios no Brasil. A expectativa de vida do brasileiro é de 76 anos, entre os índios cai para 62 anos. A mortalidade infantil entre os índios é o dobro do que entre os não índios. Desnutrição é base maior dessa mortandade.

            No meio índio, além da obesidade, o suicídio, alcoolismo e depressão são muito maiores que no resto da população brasileira. Esse tripé macabro se deve justamente pelo afastamento de seu meio ambiente e cultura.

            O Congresso tentou discutir alternativas para uso das terras indígenas. Teve muita gente contra e, com receio de ferir sensibilidades em vésperas de eleição, o assunto não andou.

          Mas você não acha que, se eles ficassem em suas terras, vivendo sua vida ancestral e ganhando algum dinheiro para ter uma vida decente, não seria muito melhor do que como vivem hoje?

 

Alfredo da Mota Menezes escreve nesta coluna semanalmente. 

E-mail: pox@terra.com.br    site: www.alfredomenezes.com      




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