Região Pantaneira tem a pior distribuição de energia de Mato Grosso - Foco Cidade
  • Cuiabá, 17 de Agosto - 00:00:00

Região Pantaneira tem a pior distribuição de energia de Mato Grosso


Da Assessoria

A implantação de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) de baixo impacto ambiental está em discussão no Estado e tem levantado um diagnóstico alarmante no setor energético, como a necessidade da melhoria da qualidade da prestação de serviços e ampliação de matrizes energéticas em Mato Grosso.

O tema ganhou espaço na Assembleia Legislativa, que desencadeou a realização de audiências públicas, a primeira ocorreu no Distrito de Mimoso, do qual foi apresentado um diagnóstico elaborado pela Ager (Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos), o resultado do estudo revela que a região de Barão de Melgaço, Santo Antônio de Leverger e o Distrito de Mimoso apresenta a pior situação energética de Mato Grosso.

Enquanto a média Estadual é de 12 interrupções de energia, deixando os consumidores em média 27 horas no completo apagão, a região Pantaneira dispara no problema de forma triplicada. São ao menos 25 interrupções ao longo de 12 meses, totalizando 82 horas de interrupção. Além deste cenário de crise energética na região, a população ainda sofre com o tempo de resposta para o restabelecimento de energia, ainda de acordo com o diagnóstico da Ager, nos últimos dois anos saltou de 6 horas para 8 horas o atendimento nas ocorrências.

De acordo com o diagnóstico apresentado pelo coordenador de energia da AgerThiago Alves Bernardes, é frequente a reclamação quanto ao atendimento em energia em Mimoso. “A Ager notificou a Energisa para apresentar um plano de ações para a melhoria tanto do fornecimento de energia na localidade quanto ao tempo mais eficiente em atendimento à população”, explica Thiago. Com a cobrança da Ager junto a Energisa foi apresentado no plano de melhorias um total de 127 obras a um investimento estimado de R$ 360 milhões, porem com prazo determinado até agosto de 2019.

O deputado Allan Kardec (PDT), que preside uma Comissão Especial de Estudos das PCHs na Assembleia Legislativa, afirmou durante a audiência a necessidade de melhoria no fornecimento de energia da região. “Questionei até a Ager, como seria possível pegar mais pesado com a Energisa para que as soluções sejam implementadas, pois é muito ruim esta situação para os pantaneiros que ficam até três dias consecutivos sem energia, este cenário é péssimo para o turismo e todo o setor produtivo”, avaliou o parlamentar.

Solução

O Grupo empresarial que representa a PCH Mantovillis protocolou uma carta de intenção junto a Energisa SA em Cuiabá, da qual solicita autorização para mudança de instalação de linhas de energia. A empresa que é responsável pela instalação de uma PCH (Pequena Central Hidrelétrica) na região de Santo Antônio de Leverger, tomou esta medida para beneficiar o abastecimento energético no Distrito de Mimoso. No entanto, a decisão, ou permissão cabe a Energisa.

“Como foi relatada durante a audiência pública no Distrito de Mimoso, pela própria população, produtores e o trade turístico, o fornecimento de energia ao entorno da região Pantaneira é precário, neste caso, a modificação se aprovada pela concessionária na pratica significaria o fim das constantes interrupções da queda de energia da localidade. Neste caso a alternativa apresentada pela PCH Mantovillis, geraria menos tensão na rede, gerando pico de 5 Megawatts. Para comtemplar este projeto a PCH Mantovillis mudaria a rota de instalação de linhas de transmissão, migrando assim o projeto de Jaciara para o Distrito de Mimoso.

Para o deputado Allan Kardec a solicitação da PCH Mantovillis a Energisa, para alteração das linhas de transmissão é algo bastante interessante. “Esta proposta foi feita verbalmente durante a audiência pública em Mimoso, agora formalizada junto a Energisa demonstra que existe a intenção de resolver os problemas de energia na região por parte da PCH, acredito que se este empreendimento se atender todos os requisitos ambientais, não trarão impactos negativos ao meio ambiente”, define Allan Kardec.

“A aprovação da modificação colaboraria diretamente com o plano de resultados que a Energisa precisa concluir para ampliar a qualidade da prestação de serviços cobrada pela Ager. E de outro lado, retiraria do estado crítico parte da produção agrícola da região, pois a característica principal é a agricultura familiar, expondo prejuízos diante da falta de refrigeração para abrigar alimentos e a lida no campo”, defende Ralf Rueda, CEO da PCH Mantovillis.

PCH - Baixo Impacto

Uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) é toda usina hidrelétrica de pequeno porte cuja capacidade instalada seja superior a 5 MW e inferior a 30 MW. Além disso, a área do reservatório deve ser inferior a 300 hectares (3 km²), apresentando menores impactos ambientais. Ou seja, com estas características ao contrário de uma usina hidrelétrica de grande porte, as PCHs não necessitam de grandes reservatórios para armazenagem de volumes de água.

A PCH Mantovillis apresenta todas as características de baixo impacto ambiental, sendo a fio d´águaPresente na audiência pública no Distrito de Mimoso, o professor Rubem Mauro Palma de Moura, engenheiro civil, especialista em Hidráulica e Saneamento pela USP e Mestre em Ambiente e Desenvolvimento Regional pela UFMT, explicou que existem muitos discursos em prol do meio ambiente em detrimento da instalação da PCH, porem sem fundamentos reais de que existiria agressão ao Bioma, há desinformação é imensa.

“A PCH está situada na descida do planalto para a planície pantaneira, dentro da baía do Alto Paraguai e rio Mutum, que não seriam áreas pantaneiras. Não tem como construir no Pantanal uma PCH, porque a declividade é mínima”, explica, disse ele.  

Um dos executivos da PCH Manovillis ainda disparou na audiência que Mato Grosso precisa de energia para crescer, ao mesmo tempo em que o Bioma precisa ser preservado. “Se a instalação da PCH representasse riscos ao meio ambiente eu não a construiria, sem falar ainda que o benefício de ampliação da capacidade energética beneficia diretamente a coletividade de forma sustentável”, define Ralf Rueda.




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