• Cuiabá, 21 de Outrubro - 00:00:00

Educação como instrumento de justiça financeira


Aifa Naomi Uehara de Paula

Durante a semana de 14 a 20 de maio uma série de ações espalhadas pelo país busca conscientizar as pessoas sobre a importância da educação financeira. As ações visam diminuir uma ocorrência que já ganhou status de epidemia no país. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, em abril deste ano mais de 60% das famílias estavam endividadas, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O principal compromisso dessas famílias segundo a pesquisa, com mais de 76%, é justamente o cartão de crédito. Não é de hoje que essa ferramenta vem sendo apontada como vilã do endividamento dos brasileiros. Mas será que é realmente isso? Não resta dúvida de que essa forma de pagamento eletrônico é uma das mais úteis. A grande questão é o uso que as pessoas fazem dele e é nesse ponto que entra a necessidade de um planejamento financeiro e uma relação equilibrada com o dinheiro.

O que vemos hoje no Brasil é um cruel círculo vicioso, em que as operadoras de cartão e os bancos cobram juros e taxas exorbitantes justamente para compensar uma inadimplência que é das mais altas. No fim das contas todos saem perdendo nesse caso, tanto o descontrolado como o controlado, já que os percentuais por inadimplemento não distinguem entre um e outro. Quer dizer, o um cidadão financeiramente educado acaba contribuindo para o bem-estar coletivo, assim como o contrário também acontece.

Foi na busca pelo equilíbrio nas relações econômicas que surgiu, no século 18, o cooperativismo e, mais recentemente, o cooperativismo financeiro. Ele está em sintonia com as bases da educação financeira ao preconizar o consumo consciente e a poupança. É uma filosofia sustentável que tem o objetivo de unir desenvolvimento econômico e inclusão social, promovendo a chamada “justiça financeira”.

Como não têm fins lucrativos, as cooperativas oferecem aos seus associados melhores condições de crédito, encargos menores e rendimentos mais vantajosos nas aplicações, além da participação nos resultados do exercício proporcional ao volume de negócios realizados junto à cooperativa. Tudo isso oferecendo aos cooperados os mesmos produtos e serviços financeiros encontrados nas instituições bancárias, mas com um atendimento qualificado e humanizado. É o cooperativismo de crédito mostrando seu protagonismo na busca pela melhoria nas relações e nas práticas bancárias.

Não por menos, o Sicoob Central MT/MS está aderindo à proposta da Semana Nacional de Educação Financeira, que faz parte da programação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), coordenada pelo Banco Central do Brasil, uma política de Estado de caráter permanente que conta com a mobilização de diferentes setores da sociedade brasileira. Preparamos uma série de ações que visam a promoção da educação financeira tanto do público externo como do interno. Nossos funcionários servirão como disseminadores dessa cultura para os cooperados e temos a certeza de que são sementes que renderão muitos frutos, não só dentro do sistema cooperativista de crédito, mas também no sistema econômico de todo o país.

 

Aifa Naomi Uehara de Paula é presidente do Sicoob Central MT/MS