• Cuiabá, 25 de Maio - 00:00:00

Pessoas não deixam empresas, deixam gestores


Lorena Lacerda

Várias pesquisas conduzidas por consultorias mundiais mostram que o título deste artigo é uma realidade no mundo dos negócios em pelo menos 85% dos casos e alertam para o grande impacto nos resultados causado por gestores despreparados para a liderança das equipes.

Uma das grandes preocupações das organizações está em atrair profissionais capacitados para montar uma equipe diversificada e competente, com colaboradores que pensam e atuam de forma complementar. Além desse desafio, as empresas também precisam lidar com a retenção dessas pessoas em seus negócios – já que, de forma geral, o tempo médio de permanência vem caindo de forma vertiginosa nos últimos anos, fruto, provavelmente, da sensação de insatisfação permanente e da busca por resultados imediatos que são característicos dos profissionais das gerações mais recentes.

Para lidar com esse cenário, nos desafios da atração e retenção de talentos, muitas iniciativas são lançadas e voltadas para melhores salários, bônus e benefícios ao colaborador. Porém, verificamos que ainda há um olhar pouco direcionado para a máxima do título desse artigo: os gestores. Estariam as empresas efetivamente trabalhando seus gestores para que a atração de talentos fosse maior?

Apesar de observarmos um crescimento dessa percepção e do investimento das empresas em desenvolver seus líderes, ainda há pouco sendo feito – ou, ainda pior, o que está sendo feito não é consistente o suficiente para garantir um modelo de atuação dos gestores que sustente os resultados e, ao mesmo tempo, engaje os talentos da empresa em torno de seu propósito, visão, missão e valores.

As empresas precisam, em minha visão, ir para o princípio de tudo e se fazerem uma pergunta com os ouvidos abertos para aquilo que pode ser doloroso: por que estamos perdendo nossos talentos? A partir daí, elas podem iniciar o desenho de soluções eficazes, pois estarão trabalhando nas causas da perda de talentos e não nos sintomas.

Muito provavelmente, ao se fazerem essa pergunta, as empresas descobrirão que, apesar do excelente pacote de remuneração e benefícios, das oportunidades de crescimento e aprendizado disponíveis, o impacto de uma liderança despreparada na motivação da equipe é devastador. 

Gestores agressivos, pouco confiáveis, que tratam a equipe de forma injusta, que não reconhecem as contribuições realizadas, que não dedicam tempo para ensinar e apenas apontam erros, que não delegam demonstrando não confiar, são exemplos de comportamentos que minam a satisfação da equipe e alimentam o desejo por algo melhor em outra empresa na eterna ilusão de que “a grama do vizinho é mais verde”. Infelizmente, não haverá muita mudança com a troca de emprego, já que o cenário de liderança despreparada atinge a grande maioria das organizações. 

De acordo com o renomado estudo publicado pela Universidade do Estado da Flórida, o Leadership Quarterly, “39% dos trabalhadores disseram que o seu supervisor não consegue cumprir as promessas; 27% afirmaram que o seu supervisor fez comentários negativos sobre eles para os outros funcionários ou gerentes; 24% indicaram que o seu chefe invadiu sua privacidade; e 23% disseram que seu supervisor culpava os outros para encobrir erros pessoais ou minimizar a situação”.

Diante desse cenário, vale destacar que uma gestão inteligente não exige apenas esforço e experiência, mas também demanda o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de competências de liderança que irão contribuir para a retenção de talentos e evitar o "turnover" – a rotatividade. Aliás, o custo de um gestor despreparado é alto demais para se tolerar dentro de uma empresa, pois não só as pessoas irão desistir com muito mais frequência como também serão muito menos produtivas antes de o fazerem. A boa notícia, nisso tudo, é a que a liderança pode ser desenvolvida – aprendida. 

Em Mato Grosso, muitos profissionais já estão sendo desenvolvidos para alcançar a alta performance, seja com o investimento da empresa onde atuam ou do próprio bolso. As empresas estão investindo porque já perceberam que o desenvolvimento de seus líderes traz resultados consistentes a longo prazo, pois garante que exista um processo de gestão eficaz de pessoas e que estimula os colaboradores a darem o seu melhor no trabalho – engajando-os na busca pelos resultados almejados.

 

Lorena Lacerda é Diretora Executiva do Grupo Valure, representante da Fundação Dom Cabral (FDC) em MT, Coach de Executivos e Times há mais de 17 anos, Mentora de Gestão e Treinadora de Líderes. 




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