• Cuiabá, 24 de Maio - 00:00:00

'Esse aumento no preço da energia inibe investimentos', alerta Concel


Da Redação - FocoCidade

Em reunião do Conselho de Representantes dos Consumidores de Energia Elétrica do Estado, que ocorreu na terça-feira (10), na sede do Concel, em Cuiabá, foi pontuado o alerta sobre os efeitos nefastos aos consumidores e que atingem em cheio o desenvolvimento econômico a cargo do aumento médio de 13% na conta de energia elétrica em Mato Grosso.    

Representantes de diversas esferas do consumo estiveram presentes para debater os pontos apresentados pela Concessionária que atua em Mato Grosso, a Energisa, para incrementar a conta dos mato-grossenses em aproximadamente 13%, já vigorando desde o início da semana.

O reajuste médio para os consumidores residenciais, atendidos em baixa tensão, foi de 13,98%. Para os consumidores industriais, atendidos em alta tensão, o aumento médio foi de 5,94%.

O aumento da tarifa se deve à quarta revisão tarifária da empresa Energisa Mato Grosso, que é realizada de cinco em cinco anos. A revisão tarifária periódica reposiciona os valores cobrados dos consumidores após analisar custos e investimentos para a prestação dos serviços de distribuição de energia elétrica. No entanto, embora o reajuste esteja previsto em lei, o Conselho que representa os consumidores destaca que o aumento estipulado pela concessionária não condiz com a qualidade na prestação do serviço.

Segundo o representante do setor comercial, Benedito Paulo Nunes de Abreu, ainda existem muitas reclamações acerca do atendimento prestado pela Energisa. “Recebemos uma alta demanda de reclamações principalmente quanto aos valores cobrados mensalmente. Muitos consumidores dizem se surpreender ao receber a conta de luz com aumentos exorbitantes, de 300, 400%, sem que o consumo tenha aumentado de um mês para outro”, disse o Conselheiro.

A empresa Energisa atende 1,3 milhão de unidades consumidoras em 141 municípios de Mato Grosso. O presidente do Concel-MT, que também representa o setor comercial, diz que o aumento vai pesar no bolso dos consumidores. “No caso do comércio, a conta de energia é uma despesa significativa, e esse aumento provavelmente deve inibir novos investimentos, visto que o país ainda sofre resquícios da crise econômica dos últimos dois anos”, disse Marco Antônio Jouan. O setor comercial terá que arcar com o mesmo percentual de aumento registrado para consumidores de baixa tensão, 13,98%.

O Conselheiro Edvaldo Belisário dos Santos, representante dos consumidores do setor rural, diz que os produtores rurais não estão reclamando de ter que pagar a conta, desde que a qualidade do serviço corresponda. “Recebemos inúmeras reclamações de constantes quedas de energia nessas áreas rurais. Para quem depende da energia elétrica para desenvolver sua produção, esse tempo sem energia significa prejuízos que dificilmente serão reparados”, explica. Outro ponto abordado, é a demora no restabelecimento da energia. “A concessionária precisa melhorar o tempo de resposta a esses consumidores”, avalia.

Audiências públicas foram realizadas nos primeiros meses do ano em Cuiabá para discutir os fatores que influenciam o aumento de energia. A Energisa disse que, entre eles, estão a compra da energia dos distribuidores, as perdas associadas dentro da própria concessionária e os investimentos realizados pela empresa.

O reajuste não exclui o aumento que ocorre em razão das bandeiras vermelha e amarela, ou seja, em períodos de bandeira vermelha, o consumidor também sofrerá com mais aumentos.

As variáveis que interferem nesse cálculo dessa revisão tarifária são complexas e extremamente técnicas. Desta forma, o Concel conta com o assessor técnico, Jenner Ferreira, para elaborar um estudo detalhado apontando questões que podem servir de argumento para solicitar à Aneel, uma revisão nesses percentuais divulgados pela Energisa. Esse relatório deve ser encaminhado à Agência reguladora até o dia 18 deste mês. (Com assessoria)




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