• Cuiabá, 20 de Setembro - 00:00:00

Quando o remédio é pior do que a doença


Paulo Lemos

O que é mais saudável e recomendável?

Tratar as causas primárias que nos levam a adoecer, como, por exemplo, reverter o quadro de sedentarismo e de alimentação inadequada, garantir um tempo de sono minimamente necessário e restaurador e praticar atividades prazerosas, tanto na vida pessoal, quanto profissional e comunitária.

Fazer nada disso e deixar a imunidade abaixar e o stresse aumentar, com o inevitável padecimento por infermidades diversas, como infecções e/ou alergias graves, tendo que reiteradamente tomar fortes antibióticos, antiinflamatórios e antialérgicos, cheios de efeitos colaterais e que podem debilitar mais ainda sua condição, quando ingeridos de forma sistemática, o que torna o remédio mais nocivo e até mesmo fatal do que a doença, a longo prazo?

É o que está acontecendo com o Rio de Janeiro agora, na verdade de muito tempo para cá, ante o total descaso das autoridades com a periferia, preferindo o Leblon, Copa Cabana e Ipanema, dos "bem-aventurados", em detrimento das favelas, dos "favelados".

Então, fazendo uma associação de raciocínio cristalino e inequívoco, como água limpa que molha, a militarização da parte pobre da cidade, de tempos e tempos, é como se fosse um fortíssimo antibiótico, com efeitos colaterais letais para todos, que perdem juntos essa guerra interminável.

Isso, por conta da ausência do Estado, mais organizações sociais e pessoas solidárias, bem como auto-organização local, para prover condições dignas de moradia, saúde, educação, entretenimento, cultura e segurança comunitária o tempo todo, não só fuzis e soldados fardados, quando a temperatura sobe, guerreando contra compatriotas, contra gente como eles, pois muitos civis inocentes são alvos das balas perdidas, de ambos os lados, e morrem.

E assim como há contraventores no lado da pobreza, também existem bandidos de farda. Todos sabemos disso! Todavia, nem por isso defendemos a penalização de toda a corporação das forças armadas e dos militares, pelos frutos podres que hão em seus meios.

Igualmente deveria ocorrer com a ação estratégica, tática e operacional das instituições de segurança pública, mais inteligência para ir direto ao ponto, com uso da força proporcional e necessária para cumprir a missão dada e assumida, menos terrorismo e brutalidade contra todos dessas localidades, às vezes, levando o trabalhador a ter o mesmo medo ou mais daqueles que andam com indumentária de guerra ou militar, oficialmente, ou seja dos soldados e policiais, do que dos traficantes sem camisa e com boné, todos os lados fortemente armados, que matam igualmente gregos e troianos, equiparando-se ao final da linha, quanto aos resultados produzidos, enquanto agentes da morte e da desgraça alheia, do choro e ranger dos dentes.

Não agem como promotores e curadores da vida dos seus convivas, moradores do mesmo lugar, na qualidade de membros da mesma comunidade, e/ou dos seus senhores, o povo, na qualidade de soberano da República Federativa do Brasil.

Caso haja alguma vitória, será como a vitória de "Pirro". Não há vencedores nessa guerra. Só há perdedores. E parte dos verdadeiros responsáveis por evitar eclodir guerras entre patriotas, não fazem nada, que não seja pedir os votos dos pretos pobres e o financiamento de campanha por parte dos traficantes dos morros da Capital fluminense.


Paulo Lemos é advogado em Mato Grosso.
(paulolemosadvocacia@gmail.com)