• Cuiabá, 18 de Janeiro - 00:00:00

'Será que a população votaria em alguém que o Blairo esteja pedindo para votar?', questiona João Edison


João Edison, analista político - Foto: João Edison, analista político
Da Redação - FocoCidade

O advento da reeleição e o poder conferido a quem está no comando da máquina pública se tornam fortes elementos para o projeto político do governador Pedro Taques (PSDB). Em que pese os pontos favoráveis, um nome forte como o do ex-prefeito de Cuiabá Mauro Mendes deverá levar a disputa à chefia de Mato Grosso para o segundo turno, em um campo de novos fatores e que estará umbilicalmente ligado ao desempenho dos candidatos.

A leitura é do analista político João Edison, que pontua vários aspectos na corrida ao Palácio Paiaguás como a seara da "transferência de votos".  

“O primeiro princípio é que o Pedro Taques vai para a reeleição. Reeleição foi feita para reeleger. Vamos lembrar lá desde o princípio, Fernando Henrique Cardoso, então é muito difícil alguém que esteja no poder, não ser reeleito. Óbvio que todas as dificuldades dos últimos anos começa a criar alguns empecilhos no processo de reeleição. O Mauro, se ele for à campanha, nós temos certeza do segundo turno. Mas não temos certeza de vitória lá na frente, Mauro ou Pedro. Cria-se uma dificuldade porque vai depender do desempenho. Se nesse momento o governador tem desgaste, mas ele é conhecido nos 141 municípios.”

Transferência de votos

João Edison chama a atenção para o campo da transferência de votos, colocando em dúvida os reais resultados de um apoio conferido pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi.  

“O Mauro Mendes ainda é muito restrito à Baixada Cuiabana. Vai depender de um desempenho muito grande no Estado. É óbvio que o fato do ex-governador e atual ministro, o Blairo Maggi, o apoio dele pesa muito, mas vamos lembrar que há muito tempo e não só em Mato Grosso pessoas que tem grande prestígio não conseguem transferir voto. Esse é outro fator. Será que a população votaria em alguém que o Blairo esteja pedindo para votar?”, assinala.

Segundo turno

“Então a única certeza que a gente verifica é o seguinte. Numa disputa onde Mauro Mendes entrar ninguém vai ganhar no primeiro turno. Vai ter que ir para o embate no segundo turno. E dificilmente consegue superar um governador à reeleição no primeiro turno. Isso é uma raridade. Gente no cargo, seja governador, prefeito ou presidente, é certo que esteja no segundo turno.”

Embate pessoal

“E o segundo turno é um embate muito pessoal, e muitas coisas vem à tona, sai muito do campo administrativo e vai para o campo pessoal. Essa é uma eleição aonde deve acirrar muito a disputa moral. É uma coisa que deve pesar muito. As pessoas estão saindo da racionalidade para a irracionalidade. E quando se vai para a irracionalidade, passa a não valer suas ideias, mas passa a valer aquilo que você construiu no passado, do ponto de vista ético, moral. É uma campanha, e eu não gostaria que fosse isso, mas uma campanha muito sanguinária, seja ela federal para presidente da República, principalmente se polarizar à presidência da República, tem dois candidatos aí que é nós contra eles, Bolsonaro e Lula, é todo mundo mal e eu sou bom. Tanto Bolsonaro faz isso quanto o Lula, que já fazia e continua fazendo agora com mais ênfase. Isso pode refletir nas campanhas dos governos estaduais. E um segundo turno, como seria? Então a única garantia que a gente tem, que se o Mauro Mendes vai contra o Pedro Taques, é que terá segundo turno e o segundo turno será uma nova eleição.”




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