• Cuiabá, 13 de Dezembro - 00:00:00

Relator da LOA aponta 'recurso irrisório' à Defensoria Pública de MT


Da Redação - FocoCidade

A Defensoria Pública, mesmo sendo exceção na Lei Orçamentária anual (LOA) 2018 sobre revisão de estimativa orçamentária, ainda está aquém das expectativas quando se analisa a estrutura no Estado, deficiente e distante do projeto de atendimento à população em todos os municípios.

Esse é o entendimento do relator da LOA na Assembleia Legislativa, deputado Silvano Amaral (PMDB), pontuando que R$ 141 milhões delineados para o órgão são insuficientes para atender as demandas de todas as comarcas no Estado.

Conforme a Lei Orçamentária Anual (LOA-2018) a Defensoria deve receber R$ 141 milhões para arcar com suas despesas de pessoal, custeio e estrutura. O valor é considerado tímido para atender a demanda de todas as comarcas onde existe a defensoria, em Mato Grosso. Para se ter uma ideia, a Defensoria que atendia em 63 comarcas no estado passou a atender em apenas 48 comarcas.

Com base no orçamento previsto, o subdefensor Márcio Dorilêo afirma que é impossível uma reestruturação do órgão e um atendimento mais célere nas comarcas. Em dezembro do ano passado, 20 novos defensores foram convocados pelo estado, porém ainda falta a convocação de mais 55 defensores aprovados.

A peça original do governo prevê entre receita e despesa um orçamento liquido de R$ 20,2334. Deste montante, está previsto R$ 141.833,521 para a Defensoria Pública. De acordo com a Defensoria Pública, seria necessário um orçamento de pelo menos R$ 200 mil para arcar com o quadro de funcionários, custeios e ainda convocar os 55 defensores aprovados no concurso realizado em 2015 e promover a reestruturação da pasta em todo o estado.

O relator da LOA-2018 defende um novo orçamento à pasta e ainda comparou o montante apontado na LOA, com o valor previstos para outros poderes, como o Ministério Público Estadual (MPE), por exemplo, que deve contar com um orçamento de quase meio milhão de reais, no ano que vem. Isto é, R$ 459.545,798.

“O repasse previsto à Defensoria é totalmente irrisório. Impossível avançar assim. Se considerarmos a crise, a má distribuição de renda e que a procura pela ustiça gratuita aumentou nos últimos anos, é praticamente impossível trabalhar contando com apenas este recurso previsto. Não tem condições. Com este valor, não se consegue convocar nem mesmo os novos defensores”, observou o deputado Silvano Amaral.

Na opinião do relator da LOA, o governo precisa investir mais e priorizar a Defensoria Pública, uma vez que é ela a responsável por prevenir crimes e conflitos. Silvano alerta ainda, que o recurso previsto, ou seja, R$ 141 milhões compromete o serviço essencial utilizado pela população mais carente, uma vez que a defensoria atua em 90% dos processos criminais 80% dos processos civis em Mato Grosso.

Silvano ainda defende, que se houve uma economia através da PEC do Teto de Gastos de R$ 700 milhões e readequação no repasse de orçamento para alguns poderes, é possível também rever a situação da defensoria. “É um serviço primordial, não tem que ficar a mercê da situação. Como a Defensoria vai atuar e ajudar o cidadão se ela não tem recurso suficiente para exercer sua função?”, questionou o relator da LOA-2018.

Sobre o contexto geral da Lei Orçamentária, Silvano Amaral, ressalta que a peça condiz com a realidade, considerando a crise econômica que o estado vem enfrentando. “A LOA destacou e estabilizou os repasses dos poderes e traz um incremento maior para o Excutivo, tendo uma diferença de quase R$ 2,2 bilhões em relação à peça orçamentária do ano passado. Este acréscimo é o que precisa para melhorar as ações do governo, a exemplo da saúde, que está na UTI, da educação, transporte e infraestrutura de Mato Grosso. Agora, tem que haver bom senso, com a Defensoria, que presta serviço essencial à sociedade e acumula retrocesso com o orçamento previsto para o órgão. Tem que rever”, defendeu Silvano Amaral.

Tramitação

A peça orçamentária foi entregue à Assembleia no dia 30 de setembro. Duas reuniões já foram realizadas para discutir o novo orçamento do estado. A primeira, realizada pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), no dia 28 de novembro e a mais recente, realizada pela Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária (CFAEO) em 30 de novembro.

A expectativa é de que a LOA-2018 seja votada até o dia 14 de dezembro. Parlamentares tiveram até o dia 1º de dezembro para apresentarem emendas à peça que devido à aprovação da PEC do Teto de Gastos, diminui alguns custos para o ano que vem. (Com assessoria)




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