• Cuiabá, 21 de Julho - 00:00:00

Fomento Comercial impulsiona Estado e expande atividade em Mato Grosso


Vinícius Bruno ? Especial para o FocoCidade

Em 2016, as 53 empresas de fomento comercial (factorings e securitizadoras) movimentaram mais de R$ 150 milhões em Mato Grosso, o valor foi 5,63% maior que no ano anterior, quando foram R$ 142 milhões. Os dados são do Sindicato das Empresas de Factoring do Estado de Mato Grosso (Sinfac-MT).

Já de acordo com a Associação Nacional de Fomento Comercial (Anfac), foram movimentados mais de R$ 155 bilhões no Brasil, em 2016, 3,3% a mais que no ano anterior, quando foram R$ 150 bilhões.

Para o advogado Ernani Desbesel, que é MBA em Gestão Estratégica de Factoring, especialista na gestão de riscos nas empresas de compra de recebíveis e o entrevistado desta semana do FocoCidade, o papel do fomento comercial é substancial para a economia brasileira, já que oferece crédito para as empresas de pequeno e médio porte, que porventura são os clientes menos disputados pelos bancos.

Desbesel também é palestrante em sete cursos sobre o setor de compra de recebíveis, além de ser ex-empresário do setor de fomento mercantil. O advogado também atua como consultor de empresas de fomento mercantil, securitização e Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), sendo também auditor de Riscos da ISSO 3100:2009 – Gestão de Riscos e professor na Academia de Crédito Sera Experian.

Confira a entrevista na íntegra:

 

As empresas de fomento comercial possuem competitividade com os bancos?

Essa competitividade sempre existiu. Só que hoje está em outro patamar, pois vivemos um momento de desbancarização no país. Os bancos tendem a enxugar suas atividades, e isso já está sendo realizado de forma bem significativa. Nós do fomento comercial estamos fazendo uma parte deste negócio, não financeiro, mas que se aproxima deste segmento, que é o financiamento das empresas por meio da aquisição de recebíveis. Fazemos esse produto de forma até melhor que os bancos. Há algum tempo essa vantagem era apenas em termo de serviços, de qualidade de atendimento e agilidade. Hoje em dia, nossas vantagens se aplicam até em relação ao próprio preço do negócio. Por isso, nossa competitividade hoje é uma realidade no mercado.

Qual é a diferença das factoring e securitizadoras serem do setor comercial e não financeiro?

Sempre existiu essa clareza no mercado de fomento comercial de que o setor é da área comercial e não financeira. A abordagem que faço é de que as empresas de factoring e securitização explorem melhor essa vantagem, que é ser comercial. Ser comercial é vender um determinado produto. E para isso, precisa-se ser ágil e agradável como em qualquer tipo de comércio. As empresas do setor, certamente, estão próximas de seus clientes e acrescentam valor ao preço, construindo um custo/benefício interessante para seus clientes.

Hoje o grande problema das empresas de fomento mercantil (factorings) é a oferta de títulos viciados, sem o lastro adequado, por suas empresas clientes.

Quais os principais riscos de negócios como factorings e securitizadoras?

Nossas empresas são extremamente importantes para o Brasil. E muitas vezes para quem não está por dentro do setor e não enxerga o setor como um todo, não são capazes de perceber que são as empresas de factoring e securitização que dão crédito para a maior parte das empresas de pequeno e médio porte, e por essa razão que sustenta uma grande quantidade de empregos. Isso porque, o fomento comercial é o último crédito de muitas empresas, que por uma questão de crise ou até mesmo por uma má gestão acaba perdendo seus créditos. Neste sentido, também existe outra situação, que é trabalharmos com empresas que têm muitas dificuldades financeiras, e isso também nos traz enormes riscos, pois trabalhamos com a venda de dinheiro, e esse tipo de negócio oferece muitos riscos. Tudo isso exige cuidados, pois a dificuldade financeira em excesso é a algoz da ética. Muitas vezes estamos sujeitos que nos vendam recebíveis que não correspondem a uma adequada e finalizada compra e venda ou prestação de serviços.

Como administrar esses riscos?

Riscos devemos administrar com processos adequados que nos tragam conforto de decisão na hora da operação. Risco é o efeito da incerteza. Se tenho um risco tenho que combatê-lo com informações, tais como o lastro do negócio que deu origem ao crédito que a factoring compra e a capacidade de pagamento do devedor. Para que eu possa cobrar uma determinada duplicata, realmente o fornecedor deve ter vendido algo para um comprador, e que este tenha recebido a mercadoria, com qualidade adequada, enfim, que o negócio seja perfeito. O negócio sendo perfeito nos traz um conforto na decisão quanto à validade daquele recebível. Hoje o grande problema das empresas de fomento mercantil (factorings) é a oferta de títulos viciados, sem o lastro adequado, por suas empresas clientes.

A grande vantagem é que por sermos mais próximos do cliente, somos mais ágeis, utilizamos a pessoalidade e não a massificação como acontece com os bancos.

Quais as vantagens que o cliente encontra nas empresas de fomento comercial em detrimento de outros concorrentes?

A grande vantagem é que por sermos mais próximos do cliente, somos mais ágeis, utilizamos a pessoalidade e não a massificação como acontece com os bancos. Temos condições de analisar um crédito de forma mais flexível porque enxergamos muito além dos concorrentes bancários, também porque conseguimos mitigar adequadamente os riscos. Com menos incertezas, chegamos à ponta e conseguimos fazer negócios mesmo com empresas com grandes dificuldades financeiras.

Quais são as principais estratégias que os empresários de fomento comercial podem realizar diante do mercado atual?

Assim como qualquer outro tipo de negócio, a principal coisa que o empreendedor de factoring ou securitizadora pode fazer é ser empresário com “E” maiúsculo. E isso significa querer crescer, empreender e fazer negócios bons. Por sua vez, negócios bons são aqueles rentáveis e seguros. Esta é a principal situação que deve ser atendida.

O setor de fomento comercial ainda não tem uma lei específica que o regulamente, apesar desta atividade já ser objeto de diversos dispositivos legais que tornam a atividade dentro da legalidade. Isso impõe algum óbice para o setor? Seria importante para o setor ter uma lei própria?

Em minha opinião, toda atividade comercial no Brasil não precisa de uma lei específica para atuar, já que nós temos a lei maior que é a Constituição Federal, leis especiais e leis federais que nos permitem de forma absoluta atuar no mercado. Não é a ausência de uma lei específica que é o problema, até mesmo porque nunca ouvi falar que uma indústria metalúrgica, um açougue ou um mercado precisasse de lei. Não existem para a maioria das empresas leis que as regulem, nem é necessário. Para o nosso setor também não é esse o empecilho, e sim a falta de compreensão do público em geral. Os empresários que trabalhamos compreendem muito bem a qualidade e o valor que o nosso trabalho tem para as suas empresas. A grande verdade é que se as empresas de fomento no Brasil parassem de trabalhar por trinta dias, o país passaria por problemas destinados a este público diferenciado. Não pelo volume de capital utilizado, que certamente é muito menor que o de bancos, mas, sim pelo crédito dado e onde nós atuamos. O fomento comercial faz parte de um dos sustentáculos do Brasil há muito tempo. E o público em geral precisa enxergar o setor como 98% dele é: bom, extremamente importante, que sustenta empresas e empregos diretos e indiretos. E não olhar um caso ou outro que muitas vezes aparece, e como em qualquer outra profissão, existem profissionais bons e outros ruins. No nosso setor, e tenho orgulho de participar dele, posso dizer que mais de 98% são de empresas sérias, que tem um papel importante no setor econômico do Brasil. É muito bonito o resultado prático para a economia como nossas empresas fazem. O segmento muitas vezes é mal visto e interpretado, não se pode generalizar quando um elemento ou outro comete erros, que venha afetar a maioria da categoria. Por essa razão que muitas vezes, pode ocorrer entendimento arbitrário do Poder Judiciário que às vezes não entende com profundidade a missão de quem coloca o capital em risco.

O segmento muitas vezes é mal visto e interpretado, não se pode generalizar quando um elemento ou outro comete erros, que venha afetar a maioria da categoria.

Em relação à conjuntura econômica, houve a queda na inflação. A taxa básica de juros também está seguindo em uma tendência de queda. Tudo isso tem diminuído também o deságio do fomento comercial. Toda essa conjuntura é positiva para o setor?

Absolutamente. Nosso setor é importante na hora da crise, porque sustenta as empresas. E também é importante no momento do crescimento porque sustenta o crescimento, pois este proporciona a produção de novos títulos e nós adquirimos esses novos títulos. Na realidade, o dinheiro tem seu custo. E o dinheiro é apenas um componente de qualquer negócio. Mas existem outros fatores como impostos, e infelizmente o setor de fomento é um dos mais castigados na questão tributária. Mais de um terço do que se arrecada de nossas empresas é destinado ao pagamento de impostos. Então não é só o custo do dinheiro que pesa, apesar de ser importante. Dessa forma, apesar de existir uma tendência de queda no deságio do setor de fomento, não será tão acentuada, já que o dinheiro não é o único insumo do nosso setor. O que realmente faz a diferença é a competição entre as empresas, esta tem que ser saudável. A competição como em qualquer outro negócio é o que define o preço do produto.

A reforma tributária hoje no Brasil é necessária?  

A reforma tributária no Brasil é necessária desde sempre. É um absurdo não só a carga tributária, mas a forma como os tributos são trabalhados no Brasil. As empresas precisam de uma equipe dentro de seus quadros de colaboradores para gerir pagamentos de impostos, sejam federais, estaduais ou municipais. Com certeza absoluta este é o maior freio da economia. No nosso setor possui taxas extremamente baixas, enquanto quem vende uma mesa tem 50% de lucro, quem vende dinheiro às vezes tem 5% de lucro bruto e ainda tem que repartir um terço disso com um governo que não retorna em nada, isso machuca. Nós não queremos pagar menos impostos, queremos apenas pagar impostos justos. E muitas vezes não tem como competir com um banco que tem situações tributárias muito mais adequadas do que nosso setor tem. Tudo isso dificulta, essas situações de disparidade no recolhimento de impostos dificulta a economia.




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