• Cuiabá, 24 de Setembro - 00:00:00

Superintendente de shopping relata como empreendimento faturou mesmo em tempo de crise


Vinícius Bruno ? Especial para o FocoCidade

Apesar de toda a turbulência na economia desde o final de 2014 até o início de 2017, o setor de shopping centers no Brasil apresentou um bom desempenho no faturamento e abertura de novos empreendimentos.

Nos últimos 10 anos, o número de shopping centers no Brasil passou de 351 unidades para 558 unidades em 2016, chegando a 562 este ano, com previsão de encerrar com 575 shoppings em operação no país. Em igual período o faturamento passou de R$ 50 bilhões em 2006 para R$ 157,9 bilhões no ano passado, um expressivo aumento de 215,8%, conforme dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

Em Cuiabá, um dos shoppings mais antigos da Capital, o Três Américas, com 21 anos de fundação, também passou pela turbulência econômica com bons resultados. De acordo com o superintendente do shopping, João Gonçalves Silva, 60, a expertise está no constante investimento e aperfeiçoamento dos processos internos de operação logística do player econômico.

Gonçalves Silva também é coordenador da Abrasce em Mato Grosso, e acumula mais de 30 anos trabalhando em shopping centers. Quanto ao Shopping Três Américas, são 170 lojas, e 30 quiosques, com 150 empregos diretos gerados na administração, e cerca de 2 mil empregos gerados pelos lojistas.

Confira a entrevista na íntegra:

 

Em 2016, apesar da crise econômica, os 558 shopping centers do Brasil – conforme dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE) – faturaram R$ 157,9 bilhões. O valor é 4,22% maior que em 2015, quando foram R$ 151,5 bilhões. Quais fatores contribuíram para este desempenho? O Shopping Três Américas também teve bons resultados em igual período?

Sim, tivemos resultados satisfatórios, e atribuímos estes resultados a alguns fatores, sendo o mais preponderante a grande capacidade de produção do Agronegócio, que fez Mato Grosso ser menos impactado que outros Estados. Outro fator é que o Shopping 3 Américas passou por uma revitalização, com melhorias do empreendimento, através de reformas, modernização das instalações e substituição de equipamentos, tornando o shopping um local mais agradável e aconchegante. Um terceiro fator foi a repaginação da praça de alimentação que ficou mais aconchegante e moderna, com uma oferta completa de serviços. Também recebemos novos parceiros (lojistas), que chegaram para complementar o nosso mix.

Nos últimos 10 anos, o número de shopping centers no Brasil passou de 351 unidades para 558 unidades em 2016, chegando a 562 este ano, o qual deve encerrar com 575 shoppings em operação no país. Em igual período o faturamento passou de R$ 50 bilhões em 2006 para R$ 157,9 bilhões no ano passado, um expressivo aumento de 215,8%. Este é um mercado que ainda tem muito espaço para crescer? E o crescimento do setor nos próximos anos terá a mesma expressão que na última década?

O mercado de Shopping Centers ainda tem espaço para crescer, principalmente fora dos grandes centros e ou grandes cidades.

Este é um mercado, que ainda tem espaço para crescer, principalmente fora dos grandes centros e ou grandes cidades. O setor vai continuar crescendo, em ritmo menos acelerado, porém constante.

Como o Shopping Três Américas se posiciona em relação à crise econômica? Foram necessárias medidas de austeridade ou o shopping conseguiu investir mesmo com o cenário macroeconômico em instabilidade?

O shopping 3 América tomou várias medidas, as vezes austeras para corrigir e se adequar ao atual cenário econômico do pais, e continuamos investindo em modernização e busca de eficiência e equilíbrio econômico/financeiro, além dos investimentos em campanhas que mantenha o Shopping na lembrança dos seus clientes e frequentadores.

A carga tributária é um problema que sempre gera reclamação aos investidores brasileiros, afinal pelo menos 33% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) é do país é convertido em tributos. Na perspectiva do shopping center, como é conviver com a legislação tributária brasileira e estadual? É possível amenizar esse ônus com algum tipo de medida? Qual seria?

Um grande desafio dos empresários hoje, é conseguir se manter no mercado com a alta carga tributária, onde os insumos que consumimos são majorados com altas taxas de impostos. Seria possível amenizar os ônus, com incentivos fiscais para grandes geradores de empregos e renda. Uma medida eficiente seria incentivar os empresários a investirem em atividade que gere riquezas para o Estado.

Na perspectiva do consumo, o Índice de Consumo das Famílias (IFC/Fecomércio – MT) de agosto revela que para 63,6% dos chefes de família, em Cuiabá, o atual momento ainda é mau para o consumo de bens duráveis. Para o shopping isso é um mau sinal, já que demonstra baixa propensão ao consumo?

Toda pesquisa que afete o comércio e o varejo de maneira geral, também se reflete no Shopping, porém, os shoppings são acima de tudo, locais de diversão, prestação de serviços e comércio do varejo em geral, e por oferecer várias opções aos clientes, são menos impactados.

Quais as expectativas para a economia até o fim de dezembro deste ano? E quais as expectativas para os próximos anos? A tendência de queda na taxa básica de juros – Selic (9,25%) – e o resultado de uma inflação tão baixa (2,71%) podem ser fatores de maior incremento de crédito no mercado, o que pode influenciar no comércio e consumo de bens?

Um grande desafio dos empresários hoje, é conseguir se manter no mercado com a alta carga tributária, onde os insumos que consumimos são majorados com altas taxas de impostos.

As expectativas são de crescimento já em 2017, por várias sinalizações econômicas. A primeira dela, mais evidente é a estabilização da Economia, que parou de cair, o que indica que está ainda em processo de estabilização. As taxas de juros em queda também é um fator positivo. Outro fator favorável é o câmbio estável e sem perspectivas e/ou sinais de volatilidade. A inflação estável também é um quesito positivo. Estes componentes por si só, sinalizam início de crescimento da economia, o que vai dar uma aquecida no consumo como um todo.

Quanto ao mercado local. No próximo ano, estima-se a abertura de mais um player, em Cuiabá. Como o Três Américas se posiciona quanto a isso?

Encaramos como mais um grande concorrente, e para tanto, precisamos fazer o trabalho de casa, oferecendo aos nossos clientes, os melhores serviços, as melhores opções de diversão e um mix atrativo para conquistar a sua preferência. Buscamos fidelizar nossos clientes oferecendo tudo àquilo que ele espera de um shopping: Estacionamento coberto, localização, segurança, climatização, local agradável, diversão, serviços, varejo e muita variedade. Acredito que existe espaço para todos os shoppings, e cada um terá que dar o melhor de si, para conquistar e fidelizar seus clientes. O Shopping Center 3 Américas aposta nisso.

Como o shopping pretende se posicionar no mercado nos próximos anos? Quais serão as linhas de investimento que receberão prioridade?

Nosso foco sempre foi e sempre será o cliente. Vamos investir para a satisfação e fidelização desses clientes, através de campanhas, premiações e a constante modernização do empreendimento.