• Cuiabá, 18 de Agosto - 00:00:00

Grileiros ateiam fogo em residência e ameaçam trabalhadores em Feliz Natal


Da Redação - FocoCidade

O clima em Feliz Natal é de desespero e de pedido de socorro às autoridades do Estado. Três dias após um grupo de cooperados do Assentamento Ena, no munícipio, na região Norte do Estado, denunciarem às autoridades policiais, ambientais e ao Ministério Público em Cuiabá, os constantes furtos e tentativas de homicídio pela disputa da madeira, os conflitos permanecem. Integrantes de uma quadrilha chegaram a atear fogo na residência de um assentado, em retaliação às ações de segurança.

Na sexta-feira (11) dois de três indivíduos que supostamente pertencem a uma quadrilha especializada no roubo e furto de madeiras, foram detidos pela empresa de Segurança Privada e encaminhados para a confecção de Boletim de Ocorrência no município de Feliz Natal, após tentativa de furto de madeira no assentamento.

De acordo com o Boletim de Ocorrências, registrado o flagrante de roubo foi impedido por Vigilantes contratados na proteção e monitoramento da área. O suspeito, Jhamerson Andrade, 25 anos, fazia o uso de uma espingarda calibre 20, durante a tentativa de roubo, dentro da reserva com um caminhão, assim que o suspeito percebeu a presença dos Vigilantes, soltou a arma e fugiu na mata, a arma tinha 3 munições intactas e 3 deflagradas. No local os Vigilantes renderam e apresentaram às autoridades policiais os suspeitos de integrarem a quadrilha, Aristides Silveira Dutra e Osnir Andrade.

Em tom de vingança, o foragido Jhamerson, teria retornado ao local e ateado fogo na casa do assentado, José Luzardo de Lima, 70 anos. O trabalhador rural perdeu todo o trabalho de uma vida no incêndio.

De acordo com o advogado que representa a COOPERENA (Cooperativa Mista Agropecuária e Pastoril do Assentamento Ena), a família deste assentado está desolada, sem recursos recebeu o amparo de outros assentados. “Tememos que os atentados possam se repetir contra os assentados, o pior ainda não ocorreu porque ainda existe a presença de Vigilantes na Reserva, mesmo assim a investida dos grileiros é uma constante. Apenas em uma semana, inúmeros Boletins de Ocorrências foram feitos, todos os registros relatam a ousadia dos grileiros, que ameaçam a vida dos assentados. As autoridades policiais precisam agir na região, medidas repressivas e investigativas para que os fatos sejam apurados e a ação de quadrilhas sejam freadas. A situação é de extrema tensão em Feliz Natal”, define o advogado.

Em relação à outros Boletins de Ocorrências confeccionados nesta última semana, revelam que às autoridades policiais foram acionadas também após o chamado de Vigilantes, que atestaram flagrantes do furto de lascas de madeira. Sendo apreendidos instrumentos empregados para corte e transporte de lascas de madeira, foram apresentados à Polícia Militar pelos Vigilantes particulares 5 integrantes de uma suposta quadrilha de grileiros, todos os suspeitos forneceram o mesmo endereço como residência, o que estranha é o fato de que o endereço é de Cuiabá, porem os telefones dos mesmos são DDD de outro município.

“O que nos amedronta é também o fato de que os suspeitos de grilagem foram liberados pela polícia”, desabafa Gelso Fistarol, presidente da COOPERENA. Foi através da COOPERENA que foi firmada a contratação de serviços de uma empresa de vigilância, justamente para impedir o furto e roubo de madeira. Para alertar às autoridades fizemos um pedido de socorro, fomos a Cuiabá para protocolar e denunciar na Polícia Federal, MPF (Ministério Público Federal) MPE (Ministério Público Estadual), SESP (Secretaria de Segurança Pública) Sema e Dema, as ações praticadas aqui por bandidos”, explica Fistarol.

Os assentados temem a continuidade dos confrontos em Feliz Natal e pleiteiam que uma ação efetiva da Segurança Pública ocorra na região. “Eu e minha família fomos ameaçados inúmeras vezes, a situação é bastante crítica, até as crianças estão apavoradas e correm risco”, revela uma assentada que por temer a ação dos grileiros, não quis ser identificada. 

Os assentados temem ações mais violentas dos grileiros devido as denúncias formalizadas às autoridades do Estado, e também diante do atentado sofrido por vigilantes, na sexta-feira (4) quando vigilantes armados pegaram um acesso a uma estrada vicinal ao saírem do Assentamento Ena, no município de Feliz Natal.

Na ação vários disparos foram efetuados contra os vigilantes, dos quais dois ficaram levemente feridos, e receberam os cuidados médicos no próprio assentamento. E posteriormente no dia 10 de Agosto, os Vigilantes sofreram um segundo atentado, quando um caminhão carregado de madeira, supostamente com carga furtada do assentamento, passou e um dos passageiros efetuou três disparos. 

O advogado que cuida do caso, explica que a segurança privada será reforçada, sendo colocados sensores eletrônicos para monitoramento via GPS até em lascas de madeiras. Drones, rádios, celulares, internet, câmeras ocultas, sensores de presença, enfim, tudo o que existir de tecnologia de ponta em segurança privada será utilizada para garantir os direitos dos cooperados. “O que está acontecendo em Feliz Natal é um claro recado a todas as autoridades de Mato Grosso”, define Ghazale.

Entenda o caso

Após o presidente da Cooperativa Mista Agropecuária e Pastoril do Assentamento Ena (COOPERENA), Gelso Fistarol, contratar serviço especializado de Vigilância Patrimonial para impedir o constante furto de madeira do assentamento ENA, localizado na cidade de Feliz Natal, ao norte de Mato Grosso, ele e outros cooperados passaram a receber graves ameaças. A intimidação chega através do whatsapp.

Em um dos áudios que serão repassados a Polícia do município de Sorriso, um homem utiliza palavras de baixo calão, repetindo inúmeras vezes palavrões, e ainda afirma que está enviando os áudios na presença de um Policial Civil, em um dos trechos diz “Tu não sabe com quem tá mexendo (...) Tô na civil, tô mandando este áudio na frente do Evandro da Civil (SIC). Ainda na mesma mensagem um outro homem diz, “Se tirar o leitinho das minhas crianças tiro o teu também, toma cuidado meu fio” (SIC). Na sequência outra mensagem, “Opa boa noite, como tá teu dia hoje filho? Ohh meu camarada, teu dia foi mais ou menos, tua noite vai ficar mió viu”, (SIC).

Após as ameaças os vigilantes armados que fazem a segurança do assentamento apreenderam um caminhão carregado de lascas da madeira. De acordo com o motorista do caminhão que transportava a carga, o material iria para uma serraria em Feliz Natal. Os vigilantes então fizeram o descarregamento da madeira no pátio da COOPERENA. Ainda de acordo com os vigilantes após a apreensão, três caminhonetes de cores branca, preta e prata passaram a fazer rondas pela sede da cooperativa.

“A Polícia Militar foi contatada e após passar o ocorrido e solicitar a presença dos mesmos no assentamento, um policial não identificado disse que a ligação estava cortando e não atenderam mais. No dia seguinte fui então ao municipio de Sorriso para registrar o Boletim de Ocorrência, mas faltou papel”, lamenta Gelso Fistarol.

Fundado há 16 anos, o assentamento tem mais de 300 lotes, foi regularizado em 2013. Atualmente aproximadamente 240 famílias ocupam a área de terra com mais de 30 mil hectares, sendo que cerca de 16 mil hectares é reserva florestal legal, não sendo permitida a exploração, nem para agricultura ou pecuária.

Em 2014 os assentados formaram a cooperativa de assentados que passou a fazer a gestão do manejo florestal viabilizando assim a extração das árvores, sendo que todo o lucro da comercialização seria partilhado entre os cooperados. Para tanto foi firmado com a DB Madeiras, uma empresa de Feliz Natal de propriedade de Nilton Dubiella, pai do ex-prefeito do município, Jose Antônio Dubiella, do qual faria a extração da madeira e dividiria 50% de tudo que fosse retirado da reserva.

O contrato deu início ao caos que ronda o COOPERENA, o ex-prefeito e a família fizeram retiradas de madeira que somam aproximadamente R$ 6 milhões, sendo que nada foi repassado a COOPERENA. “Isto é estelionato, para que os assentados parassem de ser furtados é que a cooperativa contratou um serviço de vigilância patrimonial, mas agora estamos sendo ameaçados, justamente porque os vigilantes estão impedindo os furtos, e apreendendo a madeira quando os grileiros conseguem entrar na reserva e fazer a extração”, diz Fistarol.

O esquema criminoso teria como mentor o ex-prefeito do município, Jose Antônio Dubiella. “Após a quebra de contrato pela retirada da madeira com as negociatas envolvendo a família Dubiella, a cooperativa ingressou na justiça e conseguiu na Vara Especializada de Meio Ambiente, o direito de suspender a extração da madeira do assentamento”, explica Salmen Ghazale, advogado que representa a COOPERENA.

Para tentar desqualificar o trabalho dos Vigilantes, os grileiros, estariam espalhando um terror no município, alegando que os profissionais contratados estariam utilizando Fuzis. “A atividade dos Vigilantes está em completa consonância com as normas que regem a categoria, as armas por eles utilizadas, que não correspondem a Fuzis, estão em consonância com a Lei 7.102/1983, e ainda o contrato entre a COOPERENA e a empresa de Vigilância encontra-se devidamente registrado na Polícia Federal”, explica Ghazale. (Com assessoria)




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