• Cuiabá, 21 de Outrubro - 00:00:00

Civilidade em extinção


Sonia Fiori

A vida em sociedade exige cada vez mais jogo de cintura para conseguir lidar com a intolerância e com a limitação intelectual de muitos indivíduos. Chega a ser inominável certas atitudes, tais como a intromissão na vida alheia, seja na forma de vestir, no peso, no pensamento e nas decisões políticas.

O que mais chama atenção nas pessoas que perturbam o próximo pelo simples fato de haver uma diferença comportamental é o fato de que, tais perturbadores são exemplos irrefutáveis da imperfeição, da mesquinharia, da falta de controle e muitas vezes da histeria.

Por outro lado, quem é vítima de ‘bullying’ nem sempre revida, porque acaba se sentindo menosprezado, e isso é um prejuízo social e pessoal.

Certo amigo relata que frequentemente é questionado por estar acima do peso e por repetir roupas com frequência. Fico perplexa com este tipo de relato. Afinal estamos em pleno desenrolar do século 21, mas ainda existem atitudes menos avançadas que durante a Idade Média.

Penso que na verdade existe um esgotamento intelectual em grande parcela da sociedade. Perderam-se os valores de leitura, de percepção de mundo e da política da boa vizinhança.

Não sei ao certo se o que passamos é uma mutação de valores ou extinção do bom senso, mas me preocupa ver tantas pessoas que não sabem conviver em sociedade e ainda exigem padrões, que para elas são as melhores maneiras de ter identidade.

Espero que alcancemos um grau mais iluminado de evolução coletiva. E enquanto muitos não conseguem conviver com a diversidade, que ao menos pratiquem a política da boa vizinhança, que embora pareça ser hipócrita no primeiro momento, é ao menos um jeito civilizado de manter as relações sociais.