• Cuiabá, 19 de Outrubro - 00:00:00

Sakamoto pede vista e mantém prisão de Permínio Pinto


DA REDAÇÃO- FOCO CIDADE

O desembargador Pedro Sakamoto, da Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, pediu vista quanto ao pedido formulado pela defesa do ex-secretário de Estado de Educação, Permínio Filho, que questiona a competência da Justiça Estadual para a condução da ação decorrente da Operação Rêmora. Os outros dois desembargadores que compõem a Segunda Câmara, Rondon Bassil (relator) e Alberto Ferreira de Souza negaram a ordem.

Na prática, o pedido feito pela defesa de Permínio visava anular todos os atos decisórios já praticados pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Santos Arruda, incluindo a decretação da prisão preventiva do ex-secretário.

A Operação Rêmora foi deflagrada em 5 de maio deste ano pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para apurar supostas fraudes em procedimentos licitatórios e contratos administrativos para construção e reforma de escolas públicas no âmbito da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Contudo, as obras, cujos contratos foram investigados pelo Gaeco, foram contratadas com recursos oriundos de convênios firmados com o Governo Federal por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), fato este que atrai a competência da Justiça Federal, tendo em vista que esses recursos são alvo de prestação de contas ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Conforme os dados do Sistema Integrado de Planejamento, Contabilidade e Finanças (Fiplan), os extratos de empenho demonstram a liquidação de pagamentos às empresas investigadas com recursos da Fonte 161, referente aos valores de convênios com outra esfera de governo e Organizações Não Governamentais (ONGs) firmados pela Administração Direta.

Em entrevista concedida pelo coordenador do Gaeco, promotor Marco Aurélio de Castro, ele afirma que, dentre os 12 contratos investigados durante a operação, não há nenhum documento apreendido que indique o uso de verba federal.

Todavia, os extratos de empenho disponíveis no portal Fiplan apontam que houve a liquidação de contratos pela Fonte 161 em datas anteriores à deflagração da primeira fase da Rêmora, entre agosto do ano passado e abril deste ano, em favor das empresas investigadas.

Além disso, a própria placa de uma das obras alvo da investigação, na Escola Estadual Zumbi dos Palmares, localizada no município de Claudia, por exemplo, demonstra a participação do governo federal no custeio da construção.

O inciso IV do artigo 109 da Constituição da República estipula que compete aos juízes federais processar e julgar "os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral".

Assim, a defesa alega que cabe à Justiça Federal processar os fatos relativos à Operação Rêmora, tendo em vista o interesse do Governo Federal, já que elementos constantes nos autos desde o início da investigação demonstram a existência de recursos do Ministério da Educação (MEC).