• Cuiabá, 09 de Dezembro - 00:00:00

Sistemas de Pirâmide Econômica ganham terreno fértil em tempos de crise


Vinícius Bruno - Especial para o Foco Cidade

Um sistema que se vende como fonte de grandes fortunas a serem conquistadas em um curto tempo. As pirâmides econômicas são práticas antigas no mundo dos negócios, e mesmo assim, ainda tem conseguido atrair muitos adeptos que estão à procura do lucro fácil. O problema é que o sistema piramidal, neste caso, não tem uma base sólida. Quem adere ao plano no começo consegue grandes fortunas, mas os que vão sendo incluídos após algum tempo entram em uma verdadeira máquina ideológica capaz de hipnotizar até mentes esclarecidas.

Na entrevista desta semana, a economista Veneranda Acosta explica ao Foco Cidade como funciona o sistema de pirâmide econômica, os riscos que ele oferece e os cuidados que se deve ter para não cair neste golpe. Ela também explica a diferença com outros modelos de negócio multiníveis, que acabam sendo confundidos com as pirâmides econômicas. 

Foco Cidade - Como se caracteriza um sistema de pirâmide econômica?

Veneranda: A principal característica da pirâmide econômica é que ela se sustenta com a entrada de novos membros, e não pela venda de seus produtos, os quais geralmente são caros e não tem relevância comercial. Com o tempo, inevitavelmente ela se desintegra, porque cresce de forma exponencial e não obtém mais membros para sustentar os que estão um nível acima. Chega ao ponto em que toda a população da cidade tem que participar para ela continuar se sustentando, e obviamente, isso não acorre. Por ser um golpe antigo em todo o mundo, a pirâmide econômica configura-se como crime, cuja punição está prevista na Lei nº 1.521 de 26 de dezembro de 1951, art. 2º, inciso IX.

Foco Cidade - O caso mais recente de pirâmide que gerou grande repercussão foi a Telexfree. Atualmente, outras empresas estão atuando desta forma como é o caso de algumas redes que atuam no segmento de estética. Quais cuidados devem ser tomados por quem adere a estes planos?

Veneranda: Segundo a Associação Brasileira de Vendas Diretas (ABEVD), existe o Marketing Multinível (MMN), que apesar de se parecer muito com um sistema de pirâmide, tem sustentabilidade, pois foca seu lucro e a comissão dos participantes na venda dos produtos, e não na adesão de novos membros. Então, a primeira preocupação da pessoa que adere a essas marcas, é identificar se o sistema da empresa é piramidal ou não. Se for piramidal, além de ser ilegal, é certo que o participante tomará prejuízo num breve tempo.

Foco Cidade - O que tem motivado para que tantas pessoas sejam atraídas pelas empresas pirâmides? 

Veneranda: A promessa do retorno do investimento num curto espaço de tempo e em percentual expressivo são os principais motivos que levam as pessoas a aderirem a essas marcas.

Foco Cidade - A falácia do lucro fácil tem um campo fértil em meio a uma crise econômica. Pontue quais são os cuidados que precisam ser tomados? 

Veneranda: Os cuidados a serem tomados são: questionar de onde provem o ganho do participante: da venda dos produtos ou da captação de novos membros? Se for da captação de novos membros, sem dúvidas, é um sistema de pirâmide econômica, e nesse caso, a pessoa não deve aderir; Comparar se o preço do produto é compatível com o valor de mercado. Se for um valor muito acima, não vale a pena investir porque a conquista de clientes será difícil para se ter o retorno esperado; A taxa de adesão deve ter um retorno compatível de imediato, em relação à quantidade de produtos recebidos para a comercialização, ou a possibilidade de devolução, caso não sejam vendidos.