• Cuiabá, 21 de Outrubro - 00:00:00

De olho em 2018 aliados tentam impedir rompimento de Maggi e Taques


O ego pelo poder político coloca Blairo Maggi e Pedro Taques em campos opostos. Um praticou com excelência o RGA do servidor público, o outro aponta erros do passado que impediriam consolidar o reajuste                                                               - Foto: O ego pelo poder político coloca Blairo Maggi e Pedro Taques em campos opostos. Um praticou com excelência o RGA do servidor público, o outro aponta erros do passado que impediriam consolidar o reajuste
Sonia Fiori

De aliados a possíveis adversários políticos. A resposta “de pronto” dada pelo governador Pedro Taques (PSDB) para comentário feito pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), que tem como ponto central a polêmica em torno da RGA (Revisão Geral Anual), preocupa interlocutores do grupo político tucano. Isso porque a quebra de relacionamento entre Taques e Maggi poderá ter reflexos imediatos sobre as eleições municipais, e com risco iminente no pleito de 2018.

Esse cenário levou o deputado federal e presidente do PSDB de Mato Grosso, Nilson Leitão, a reunir-se com o ministro da Agricultura para “pedir desculpas em nome do governador”. Leitão, conhecido pela habilidade política de pacificar celeumas, tenta acalmar os ânimos das duas autoridades num ambiente recheado de mágoas.

Partiu de Leitão essa atitude, sem mesmo ter o aval de Taques, numa tentativa de reaproximar Taques e Maggi.  Outra fonte, ligada ao ministro, ressalta o reconhecimento de Maggi sobre a atitude do deputado. Mas pontua ter o ministro ciência de que não partiu do governador o pedido de desculpas. Dessa forma, tudo continua do mesmo tamanho, ou seja, permanece o mal estar.

Maggi evita comentar o imbróglio. Resume ao dizer que “não vai mais falar do assunto porque todos que estavam na coletiva sabem que não teve a intenção de criticar, e sim de ajudar”.  Ele se referiu à entrevista concedida a jornalistas, no dia 13 deste mês, em Cuiabá, em que abordou temas desde as ações do ministério, passando por questões como tributação das commodities (produtos primários e semi-elaborados destinados à exportação), do qual é contra; ao contexto político e das eleições.

Foi nessa seara que ao ser indagado sobre sua avaliação do impasse do pagamento da RGA aos servidores públicos, que continua, que Maggi apenas observou interpretar ter faltado ao governo conversar mais e com antecipação acerca do tema. A resposta de Taques veio na sequencia. Entrevistado no programa Jornal do Meio Dia da TV Record, Grupo Gazeta de Comunicação, um dia após Maggi fazer sua observação, o chefe do Executivo estadual  asseverou a “desinformação” do ministro, o cutucando ainda em relação a seu respaldo político para o grupo do ex-governador Silval Barbosa. “Eu não apoiei a gestão anterior. Eu não apoiei Dilma”.

Silval Barbosa foi vice-governador no segundo mandato de Maggi à frente do governo de Mato Grosso (2007/2010). Maggi deixou o comando do Estado no dia 31 de março de 2010, para disputar o Senado, sendo eleito com mais de um milhão de votos, e apoiando no pleito a reeleição do peemedebista.

Nas eleições de 2014, Maggi esteve ao lado de Taques no Estado, mas permaneceu aliado da presidente hoje afastada, Dilma Rousseff. Taques nesse período, ainda fazia parte dos quadros do PDT, mas já pousava no ninho tucano, sendo simpatizante ávido da campanha à presidência do principal adversário de Dilma, o senador Aécio Neves (PSDB). Em agosto de 2015, o governador assinou ficha de filiação nos quadros tucanos.

Os contornos do governo da petista desagradaram Maggi, fazendo com que se tornasse um dos principais defensores de seu impeachment no Congresso Nacional. Pelo menos nesse item ambos concordam hoje.

Outro ponto que, segundo fonte, estaria deixando Maggi pouco satisfeito com o atual governo, diz respeito à posição da atual gestão sobre garantir maior tributação do agronegócio no Estado. Nesse aspecto, em que pese a contrariedade do ministro, sendo um dos maiores produtores individuais de soja do mundo, a questão toma corpo e deverá ser consolidada com vitória do Executivo. O governo está incluindo novo mecanismo junto ao Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), mesmo a contragosto da maioria do setor.  

A insistência de Leitão em tentar reaproximar Taques e Maggi, encontra um campo pouco promissor para que obtenha sucesso nesse momento. Nessa semana, em evento realizado no Palácio Paiaguás, para liberação de emendas à saúde dos municípios, o chefe do Executivo estadual demonstrou ainda não ter digerido o comentário, alfinetando o ministro.

“Alguns dizem que não houve diálogo. Não é que não houve diálogo. É que no passado não houve coragem pra decidir de acordo com a constituição e com a lei. Podem ficar tranquilos, nós estamos decidindo de acordo com constituição e a lei. Pode ter momentos difíceis, mas não fraquejaremos. Os populistas, adoram decisões para serem aplaudidos. Os populistas, aqueles que pensam nas próximas eleições. Eu não estou pensando nas próximas eleições e sim para os mato-grossenses. Pra esses nos estamos trabalhando aqui. Se nós não acertarmos agora, Mato Grosso vai entrar num período muito difícil. E sobre a condução desse governador vamos fazer o que precisa ser feito”.

Ministro Blairo Maggi não quis comentar a iniciativa de Leitão. O deputado tucano também preferiu não confirmar seu encontro com Maggi , dizendo “que não falará sobre essa questão”, mas que no seu entendimento, “bons aliados também passam por momentos de instabilidade, perfeitamente contornáveis”.




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