• Cuiabá, 19 de Outrubro - 00:00:00

Governo federal é muito bom para fazer superfaturamento, diz Pivetta


Sonia Fiori

Prefeito de um de Lucas do Rio Verde, município que se tornou referência internacional na educação, Otaviano Pivetta não pouca críticas ao governo federal, que para ele “é muito bom para fazer superfaturamento de obra e para fazer mal feito”. “É só isso que o governo federal faz. Todo acompanhamento bem feito quem pode fazer são os municípios”, disparou ao analisar a atual conjuntura da crise na economia do país.

O Pacto Federativo, na sua opinião, precisa sair do papel, “porque a União e os Estados são virtuais, incapazes de fazer obras e serviços que a população precisa”. Pivetta assevera ainda que o processo de descentralização de serviços, ao longo de 30 anos, levou os municípios ao completo engessamento. “Nos últimos 30 anos foi tirado o poder dos municípios. O que existe é um pacto perverso, em que os municípios estão sofrendo amargamente pela injustiça no repasse dos recursos”.

O prefeito reclama da morosidade do Congresso Nacional para discutir e aprovar, pautado na realidade dos municípios, uma justa distribuição de recursos para as cidades. “É nos municípios que tudo acontece. É do gestor a responsabilidade de fazer uma administração séria, e condizente aos direitos da população, que deve ter acesso a saúde, educação e infraestrutura de qualidade.

Pivetta reconhece os efeitos da crise, mas observa a necessidade de os gestores públicos conclamarem a sociedade para, numa parceria e em busca de um objetivo comum, assegurar uma administração voltada à população. É nesse contexto que Lucas do Rio Verde também dá exemplo.

“No nosso município, o gestor tem a obrigação de fazer muito mais com menos. As obras precisam ser feitas com qualidade, porque existe a sociedade que cobra e fiscaliza. Em Lucas, se uma obra não ficar bem feita, o gestor fica com vergonha”.

Em 2014, Pivetta foi um dos principais aliados na campanha ao governo do então senador Pedro Taques. Ele liderou o processo de transição do governo, chegando a promover, antes da data da posse de Taques, proposta de reforma administrativa polêmica.

Propôs corte de 7 secretarias de Estado, passando na sua concepção de 19 para 12 pastas. As mudanças previstas por Pivetta asseguravam ainda a necessidade de redução de despesas em até 20%, e demissão de 70% dos 6,4 mil servidores comissionados da máquina pública. À época, ele frisou que o Estado gastava R$ 7 bilhões por ano relativos a folha de pessoal, correspondente a R$ 13,3 bilhões estimados na peça orçamentária de 2014.  

Sua proposta não foi aceita. No início da gestão Taques, foi feita a primeira Reforma Administrativa, com corte de aproximadamente 1,1 mil cargos. Nova Reforma Administrativa será encaminhada à Assembleia Legislativa, nos próximos dias, prevendo nova leva de demissão de servidores.