• Cuiabá, 21 de Outrubro - 00:00:00

Sem líderes à vista


Onofre Ribeiro

            Os grandes líderes políticos do passado em Mato Grosso já saíram da cena. O último foi Júlio Campos. Outros, como Carlos Bezerra, José Riva, perdem o espaço. Mesmo líderes de geração mais nova ainda não se consolidaram suficientemente. Ora, sem líderes representativos, quem vai dirigir os negócios e a política no futuro próximo?  Lá atrás, os grandes líderes sempre se preocuparam com a construção do futuro do estado e dividiam com a sociedade os seus sonhos.

            Aqueles líderes, além da sua vontade pessoal, cultivavam principalmente sonhos. Aqui, preciso me deter em algumas lembranças. Alguns dos antigos líderes pude trabalhar em Mato Grosso, ou tive a oportunidade de conhecer. Conheci os ex-governadores Pedro Pedrossian e José Fragelli, e outros líderes da época, além deles. Trabalhei com o ex-governador José Garcia Neto, com Frederico Campos, com Júlio Campos. Somando deu uns seis anos. Depois trabalhei com Dante de Oliveira entre 1999 e 2002. Deles destaco o culto aos sonhos de futuro. Vi de perto o governo Carlos Bezerra, também com sonhos, mas se perdeu na inconsistência da gestão.

            O último governante com sonhos foi Dante de Oliveira, que não deixou herdeiros na política como, aliás, os anteriores também não deixaram. Chegamos ao ponto central deste artigo. Os líderes diminuíram muito de tamanho e também não deixam herdeiros. É um pecado a população votar, acreditar e investir em líderes que morrem logo. O mundo empresarial também entrou nesse campo da falta de lideranças. O mundo empresarial moderno de Mato Grosso tem bons nomes, são produtivos e capazes, mas não investiram nos interesses da sociedade.

            Pior. Os seus herdeiros não tem muito interesse nos negócios da família e nem nos informam da sua capacidade de converter os benefícios alcançados em liderança pra sociedade. Voltarei ao assunto amanhã, mas deixando a leitura de que o horizonte político e empresarial mato-grossense é de pouca visibilidade. Triste futuro pra um estado futurista e cuja sociedade não terá que a alimente de sonhos.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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