• Cuiabá, 21 de Janeiro - 00:00:00

Prefeitos cobram resposta do ministro Kassab


Passados mais de 30 dias da visita de Kassab, poucos gestores depositam confiança na possibilidade de ter os pedidos atendidos.                                                                                 - Foto: Passados mais de 30 dias da visita de Kassab, poucos gestores depositam confiança na possibilidade de ter os pedidos atendidos.
Sonia Fiori

As promessas feitas pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab, a prefeitos de todo o Estado, em encontro realizado em fevereiro deste ano, em Cuiabá, ainda não saíram do papel. Essa é a opinião de gestores públicos de diversas cidades de Mato Grosso que integraram o evento, caso do prefeito Mauro Mendes (PSB). “Até agora, muito gentil, muita conversa, mas pouco resultado”, disparou Mendes sobre o “retorno” de Kassab a uma extensa lista de reivindicações. 

 

O encontro foi capitaneado pela Associação Matogrossense dos Municípios (AMM), sob Neurilan Fraga, com apoio do governo do Estado, na tentativa de assegurar a resolução de pleitos dos municípios junto ao Ministério das Cidades. No período, Kassab se reuniu com representantes de 15 Consórcios Intermunicipais de Mato Grosso. A maioria das pautas contendo pedidos como liberação de recursos, via convênios, permanece sob análise da equipe técnica do MC.

 

Havia grande expectativa a respeito da chance de as cidades do Estado terem aceleradas suas ações, por meio do contato direto com o ministro. Passados mais de 30 dias da visita de Kassab, poucos gestores depositam confiança na possibilidade de ter os pedidos atendidos, como é o caso do prefeito de Alto Paraguai, Adair José (PMDB). “De forma concreta das demandas, desde o ano passado, algumas de 2014, não chegou nada até agora. Tive resposta do Ministério sobre o Programa Minha Casa, Minha Vida, que está em estudo a faixa 3. Já o PAC 2 Pavimentação, a Caixa perdeu o prazo. De concreto não chegou nada para a população. Houve uma resposta oficiosa, mas não resolutiva”, criticou.

 

“Aquele discurso de que falta projeto é ilusório. Tem projeto sim, na maioria dos municípios. O que falta muito é dinheiro para poder bancar. Mato Grosso tem cerca de R$ 110 milhões em projetos de pavimentação aprovados, publicados no Diário da União desde 2013 e que não são pagos, do PAC Pavimentação. O ministro manifestou, mas não resolve. Em que pese a gente reconhecer a boa vontade do ministro, mas não tem dinheiro”.      

 

Presidente do Consórcio intermunicipal de Desenvolvimento do Vale do Teles Pires, prefeita de Nova Bandeirantes, Solange Souza Kreidloro (PSD) observa as dificuldades dos gestores públicos, principalmente os que estão à frente de pequenas cidades.  “Não recebi ainda resposta, mesmo sendo o ministro Gilberto Kassab o presidente de honra do meu partido, o PSD, não há expectativa de liberações, seja ela de que natureza for. Isso porque o governo federal está com problema sério de distribuição de recursos face à arrecadação. A gente sabe que enquanto não se resolver essa crise política que se instalou no Brasil, essas ações dos ministros são para conter essas situações políticas. Infelizmente não vai conseguir. Não vejo soluções para municípios pequenos, como é Nova Bandeirantes”, desabafou.

 

Ela reclamou ainda da limitação de programas do governo federal destinados a municípios de pequeno porte. “Por exemplo, recentemente foi lançado o programa Minha Casa, Minha Vida III. Fui convidada para a cerimônia de abertura desse programa. Mas perguntei o que tinha para os municípios com menos de 50 mil habitantes? Tive como resposta que não vai ser liberado nada. Então não vou lá passear em Brasília. Porque o que está havendo é um movimento de massa para que prefeitos apoiem o governo e mostre suas forças, lançando programas que a gente sabe que não tem como executar”, pontuou Solange.

“O ministro Kassab infelizmente não deu resposta ao consórcio do qual sou presidente, que congrega seis municípios, Carlinda, Nova Bandeirantes, Alta Floresta, Nova Monte Verde e Apiacás”, complementou lembrando entre os principais pleitos levados a Kassab  está o aporte para a construção de uma usina de asfalto quente (custo aproximado de R$ 2 milhões), além da inserção dos municípios no Programa Minha Casa, Minha Vida. 

 

Prefeito de São José do Rio Claro, Natanael Casavechia (PSB), compõe o grupo de insatisfeitos com Kassab. “Não consegui receber nenhuma resposta. Nossos pleitos foram pavimentação e o PAC 2. O nosso município foi contemplado com R$ 1,5 milhão, sendo um dos poucos que está tudo “OK” no PAC 2, e até agora tudo foi aprovado, só faltando os recursos. Tivemos também uma emenda do então senador Jaime Campos, de R$ 500 mil de pavimentação, até hoje não foi liberada essa emenda”, considerou  Natanael.

 

Presidente do Consórcio Intermunicipal  de Desenvolvimento Econômico e Social do “Vale do Rio Cuiabá”, congregando 13 cidades do Estado, entre elas Cuiabá e Várzea Grande, prefeito de Acorizal, Arcilio Jesus da Cruz também aguarda o retorno do Ministério das Cidades.

 

“A esperança é a última que morre. Precisamos criar quatro aterros sanitários para atender os municípios que fazem parte do consórcio. Nenhum município desse grupo possui aterro sanitário, nem Cuiabá. Vou dar um exemplo, nos municípios de Nobres, Jangada, Rosário  e Acorizal, é preciso criar um aterro para atender essas cidades. Os outros municípios que não vão ter aterro terão que fazer o transbordo do lixo para esses locais. A mesma coisa acontece em outros municípios, como Cuiabá, Várzea Grande, Poconé, Santo Antônio e Barão. Essa foi a demanda que pedimos para o ministro Kassab. Fizemos o projeto desses quatro aterros sanitários para atender o Consórcio do Vale do Rio Cuiabá. E com essa crise que o país está passando, estamos aguardando resposta”, explicou.




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