• Cuiabá, 18 de Outrubro - 00:00:00

 Secretaria da Agroindústria

               A Argentina criou o Ministério da Agroindústria para os setores agrícola, pecuária, pesca e florestal. Mato Grosso deveria seguir o modelo e criar uma Secretaria da Agroindústria. Este assunto poderia até ser parte do debate na eleição deste ano.

                 Não é possível continuar exportando tudo in natura. Mato Grosso é, agora e mais ainda no futuro, o maior produtor de grãos, fibras e carnes do país. Será o maior do agronegócio nacional por muito tempo. Tem aqui clima e chuva adequados e ainda mais de 15 milhões de hectares de terras que podem ser incorporadas à produção no campo.

               O mercado internacional, com milhões de novos consumidores da China e da Índia (primeiro e terceiro PIB mundial num futuro próximo), será ainda maior que agora para se vender comida. Primeira coisa que alguém faz quando melhora de vida é melhorar a qualidade de sua alimentação.

             O estado pode, nos próximos anos, até ultrapassar a produção da Argentina em soja, milho e carne. Lá não tem mais terras para ser agregadas à produção. Aqui tem e a produtividade por hectare é igual à deles.

            O estado tem que industrializar parte dessa enorme produção. Gerar emprego e renda mais qualificados. Mato Grosso do Sul e principalmente Goiás tem dado atenção especial à agroindústria, por que não aqui?

            Como pode um estado produzir 66% do algodão do país e 92% de todo o Centro Oeste e não ter fábrica de tecidos? Ter ainda o maior rebanho bovino do país, abater cerca de 5 milhões de cabeças por ano, e aqui não se faz nem mesmo a simples industrialização do couro quanto mais pensar em fábricas de sapatos ou bolsas. 

               O que poderia ser feito numa Secretaria da Agroindústria? Trabalhar com a Assembleia Legislativa para aprovar leis para ajudar na agroindustrialização. Aprovar também a lei, que está no Congresso, para que uma ZPE pudesse vender entre 40 e 50% de sua produção internamente. Com os incentivos que uma ZPE tem parte da produção local poderia chegar a centros consumidores maiores no país de forma competitiva.

            É mais do que óbvio que a agroindústria não precisa ser apenas numa ZPE. Bolar incentivos especiais e específicos para levá-la para tantos outros lugares do estado.  Qual tipo de incentivo fiscal seria dado?

             A Secretaria poderia buscar informações em outros estados sobre agroindústria que possam ser úteis a Mato Grosso. Também o que fizeram em Goiás e MS? Quais produtos para a agroindústria? Para onde e como exportar? Como fazer isso? Como envolver a Fiemt, Famato, Aprosoja, Ampa nesse assunto?

            Com dados coletados, leis aprovadas, “pasta debaixo do braço”, como trazer empresas e investimentos de fora para a agroindústria? Buscar empresas até mesmo do exterior, por que não? 

             Uma Secretaria com funcionários já do quadro estadual, nascida até de outra, como aconteceu com a da Agricultura Familiar, enxutíssima e específica para a agroindústria, poderia trabalhar itens como esses e tantos outros para não sermos eternamente exportadores de matérias primas.

 

Alfredo da Mota Menezes escreve nesta coluna semanalmente. 

E-mail: pox@terra.com.br    site: www.alfredomenezes.com     



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