• Cuiabá, 25 de Abril - 00:00:00

Reedição de improvisação

Intensificam-se as críticas ao governo Pedro Taques. Para dizer a verdade, não são bem críticas, mas tão somente o apontar os desacertos da atual administração pública estadual.

Pois o apontar está muitíssimo longe de ter igual significado de criticar, uma vez que este ao contrário daquele requer fundamentação e sugestão para corrigir os erros cometidos, ou dar um novo direcionamento a ação governamental.

O que não se vê, nem se identifica nas falações de muitos atores do jogo político-eleitoral. Atores que passaram três anos mergulhados na taciturnidade, alguns deles não se descuidaram em acomodar seus apadrinhados em cargos no governo. Só saíram agora do poço do silêncio por uma razão clara: as disputas eleitorais, em especial a briga pela poltrona central do Paiaguás.

Atores que são motivados pelos seus próprios interesses particulares e individuais. Interesses que são maquiados, levados a público como se fossem os de toda a população, via discurso ideológico. Estranhamente, aplaudidos e divulgados como se de fato fossem. O que faz a maioria da sociedade pensar que esses políticos agem impulsionados pelo "amor cívico" e pelo "espírito público". Nada disso. Eles desconhecem os sentidos destes termos.

Termos tão bem defendidos por Montesquieu, nas primeiras páginas "Do espírito das leis". Mesmo se tivessem lido o dito livro, e deparados com tais defesas do filósofo francês, continuariam a desconhecer seus respectivos conceitos e relevâncias.

Até pela impaciência que os nutre e os impede de ouvir a outrem, igualmente a que os evitam a enxergar o que se encontra a um palmo diante dos olhos. Por isso, aliás, jamais deram ouvidos aos anseios e as necessidades da população. Nunca foram vistos a prosear, a discutir com os mais variados segmentos da sociedade. Tampouco seus partidos antigos, atuais e futuros - se deram o trabalho de instigar o conjunto dos munícipes mato-grossenses, com temas pertinentes ao atual estágio vivido. Instante algum, eles siglas e políticos foram vistos nessas condições de diálogos.

Por isso, claro, nenhum deles possui projeto alternativo para o Estado. Não o tem porque passaram todo o tempo em sua plena taciturnidade, sob as sombras das árvores carnosas do poder público, enquanto a imensa maioria dos mato-grossenses se via preso à falta de um tudo.

Assim, caso um deles venha a sair vitorioso nas urnas deste ano, governará de improviso, assim como se deu com todos os governantes passados, sem quaisquer planos de ação, programas ou planejamentos. Embora estejam (curiosamente agora) a dizer uma ou outra verdade a respeito do atual governo que, segundo Otaviano Piveta, "não fez as reformas necessárias", e, de acordo com o Mauro Mendes, "não dá para falar em crise e em Silval Barbosa". O que resultou em uma situação "lastimável" e uma gestão "medíocre", concluem Mendes e Piveta, respectivamente.

Claro que a administração Pedro Taques cometeu e comete muito mais erros que acertos. Igualmente cometeu os governos Jayme e Júlio Campos, bem como os do Blairo Maggi e do Silval. À frente da prefeitura de Cuiabá, Mauro Mendes patinou e patinou, quase não saiu do lugar, impedido por equívocos e ausências de iniciativa, ainda que se tenha abusado do marketing, como naquela peça publicitária "Tá na hora da Colheita".

Mas, então, o que fazer? Recusar-se a comparecer à sessão não é uma boa, nem o votar em branco ou anular o voto é a saída. O melhor, evidentemente, é escolher um.

Mas a escolha ciente de que nenhum deles mudará o atual retrato da saúde, educação e da segurança pública. Não mudará porque não conta com plano algum, muito menos eles têm tempo suficiente para construir um programa de governo.

Programa ou plano se faz no mínimo com dois anos, pois carece de um real diagnóstico, seguido por um conjunto de planos de ações, com o qual se possam debelar os obstáculos existentes e/ou os que possam a vir, ao mesmo tempo em que se pensa em outras ações capazes de diminuir o tamanho da máquina administrativa e de evitar os desperdícios. Programa nada tem a ver com um rosário de promessas, o que eles estão acostumados a fazer. Reeditam, assim, a improvisação. É isto.

 

Lourembergue Alves é professor e articulista



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