• Cuiabá, 16 de Novembro - 00:00:00

Apenas Para Se Refletir

Muito se tem falado sobre as disputas eleitorais de 2018. Falou-se, mas não o bastante, pois o cenário político ainda se encontra longe de ser de todo construído. Falta-lhe muitíssimo. Ainda que tenha sido antecipada a discussão (por conta da Lava-jato e das delações, inclusive da do Silval Barbosa) sobre os nomes que poderão, por exemplo, brigar pela cadeira central do Palácio Paiaguás.

Alguns desses nomes não passam de especulações, outros aparecem forçosamente como tiros no escuro e um terceiro grupo, ao contrário dos demais, parecem ter realmente interesse na disputa. Interessar-se, é bom que se diga, não surge de ter real condição de disputar. E a dita real condição nada tem a ver com a filiação partidária, embora se saiba que ninguém no país poder ser candidato a um cargo eletivo sem estar filiado em um partido. Mas, na verdade, carregar na bagagem três predicados imprescindíveis, a saber: (1) densidade eleitoral substanciosa, (2) dividendo eleitoral e (3) a capacidade de atrair eleitores dos mais variados segmentos do eleitorado.

Contudo, se bem que o poder de atrair eleitores depende também da embalagem feita pelo marketing, o qual transforma o político em produto a ser vendido para um universo de consumidores (eleitores). Produto que é comprado pela embalagem, não pelo conteúdo. Há, aqui, uma inversão de valores. Inversão estabelecida pela própria incapacidade, pela falta de preparo do próprio político-candidato. Em razão disto, cabe acrescentar, quando eleito e empossado, administra por improviso, pois não possui (nem possuirá) um programa de governo (o suposto plano apresentado a Justiça Eleitoral nem de longe chega a ser um).

Ausência que também se deve imputar a inoperância das agremiações partidárias. Estas pecam. Pois não instigam, nem provocam a sociedade para debater questões concernentes ao Estado e a ela própria, cujo resultado poderia servir-lhes de subsídios, dados para comporem seus discursos, seus projetos e planos de governo. Não fazem isto, nem nunca tiveram ou terão pretensão em desempenhar realmente seus reais papéis.

 Deste modo, a disputa se empobrece, bem mais pelo despreparo individual dos candidatos; o jogo político se resume a ataques pessoais e a um desfile de promessas que, de antemão, já se sabe não será cumprida. Estranhamente, jornalistas e analistas políticos fazem de conta que o debate verdadeiramente acontece (ou acontecerá). Não está, nem aconteceu, muito menos ocorrerá em 2018.

Grande parte deste não debate sobre as questões necessárias se deve a alguns fatores e também a estes profissionais. Bem mais por conta de quase todos os analistas políticos. Porque até estes se aliam e se reduzem ao papel de torcedores. Não deveriam, mas se prestam a ele. Isto é fácil de ser percebido. Basta olhar as avaliações deles. Avaliações, estranhamente (para não dizer um palavrão aqui), que são dirigidas a favorecer a candidatura “A”, ou a “B” ou a “C”, desacompanhadas dos fatos.

Entende-se, então, o porquê a imensa maioria do eleitorado mantém-se preso a condição de torcedor, quando deveria se colocar na condição de cidadão. E, assim, muitos eleitores se acomodam na arquibancada da arena, como torcedores do candidato Fulano ou do Beltrano. Mesmo se os Beltranos e os Fulanos tenham sido expostos nas delações. Aí surge uma coisa ainda mais curiosa (para não se dizer outro palavrão): as acusações que valem são apenas as que recaem sobre os candidatos-adversários, nunca sobre os que têm suas torcidas.

Desta forma, entre o estranho e o curioso na corrida eleitoral, os nomes são fabricados, postos e expostos. Um deles será eleito (ou reeleito) para chefiar o Executivo estadual, sem nunca ter sido questionado sobre sua real capacidade. Repete-se ou repetir-se-á, então, o mesmo retrato das disputas anteriores. É uma pena! É isto.  

 

Lourembergue Alves é professor e estudioso do jogo político.



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