• Cuiabá, 22 de Fevereiro - 00:00:00

Agroindústria em MT

Alfredo da Mota Menezes Alfredo da Mota Menezes

Mato Grosso é o maior produtor nacional de grãos, fibras e proteína animal. Essa liderança aumentará em anos vindouros. Mas não podemos ser eternamente produtor de matéria prima. É preciso abrir caminhos e criar ambiente negocial para que parte dessa produção seja industrializada no estado. É preciso aproveitar o acumulo de capital gerado pelo agronegócio para investir na agroindústria.

Outros estados fizeram isso, como o Rio Grande do Sul e o Paraná. Sem falar do histórico caso de São Paulo que, com o acumulo de capital gerado pelo café, se cacifou para a industrialização. Exemplos mais perto? Goiás e Mato Grosso do Sul trilham caminhos que trilharam outros estados antes.

Mato Grosso tem que atravessar certos gargalos na busca de uma maior industrialização futura. Pesquisas publicadas recentemente mostram que se tem caminhos a percorrer. 

O estado ficou na posição 12 num ranking de competividade nacional que mede, entre outras avaliações, o que os estados têm para atraírem novos investimentos. Em síntese, se poderia citar infraestrutura, segurança, sustentabilidade ambiental, solidez fiscal e potencial do mercado. Mato Grosso do Sul ficou na quinta posição nesse ranking nacional. 

Apareceu também outra pesquisa que mostrava que Cuiabá estava entre as dez piores capitais do Brasil para se empreender. Os passos para se chegar a essa definição passava quase que pelos mesmos do ranking de competitividade entre os estados. E, para provocar, Campo Grande está nessa pesquisa numa posição bem melhor que a capital de MT.

Quase ao mesmo tempo dessas publicações apareceu outra em que MT terá o maior aumento do PIB em 2017 no Brasil com 5.1%. Neste caso o MS ficou para trás, com aumento do PIB de 2.4%. A produção agropecuária empurra a economia de MT. Mas os dados das outras pesquisas mostram como o estado está longe de uma sonhada agroindústria.

Ah, o problema de MT é a falta de mercado consumidor. Vou continuar com a cantilena de quase duas décadas. Um dia vamos ver que a geografia não foi madrasta com MT, é o contrário. É que temos que olhar também para os países vizinhos. Não é levar carretas de soja pelos Andes, sim produtos industrializados de couro, tecidos, óleos, carnes.

Os países andinos são um mercado de um trilhão de dólares de PIB, com população de 145 milhões de pessoas. Nos países do Mercosul se tem mais de um trilhão de dólares de PIB, com 54 milhões de pessoas. Se 10% dos dois mercados comprarem, se tem um mercado de 20 milhões de pessoas. Olhe a importância da ZPE. Será que uma produção agroindustrial no Nortão não poderia sair pelo sul do Pará e na região de Roo pela ferrovia?

Voltando para casa. Deveria ser criado no estado um movimento (Rondônia fez isso com sucesso, cresceu cinco posições no ranking) que englobasse a iniciativa privada, governos e universidades para tentar diminuir os gargalos que atravancam a industrialização.

 

Alfredo da Mota Menezes escreve nesta coluna semanalmente.

E-mail: pox@terra.com.br  

Site: www.alfredomenezes.com      



0 Comentários



    Ainda não há comentários.