• Cuiabá, 19 de Junho - 00:00:00

Exposição muito negativa

Ao longo de toda a semana que passou o Judiciário de Mato Grosso povoou toda a mídia brasileira da maneira mais negativa possível. Passou a impressão de que é uma capitania hereditária governada sem controle. Tudo começou com a divulgação do contracheque de um magistrado que recebeu R$ 503 mil no último mês de julho. Junto com ele mais 83 outros magistrados receberam valor igual ou diverso até o mínimo de R$ 103 mil no mesmo mês.

O juiz se defendeu dizendo que “não tô nem aí, porque é legal”. A sua defesa, correta ou não, incomodou o país inteiro e expôs o Tribunal de Justiça de Mato Grosso à opinião pública enraivecida e ao próprio Conselho Nacional de Justiça que audita os tribunais. Também à presidência do Supremo Tribunal Federal. Incomodou muito! Desgastou muito mais o Judiciário. O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso precisou ir a Brasília explicar a generosidade mato-grossense com os seus magistrados.

O STF determinou que além de prestar contas dos salários dos magistrados de Mato Grosso, sejam auditados todos os demais tribunais por riscos da mesma repetência. A argumentação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso é corporativa. Defensora dos seus magistrados. A explicação é de uma diferença salarial acumulada desde 2004 pela atuação de magistrados em comarcas de entrância superior à sua.

Legal é. Mas é imoral num momento em que o país está fundado e se corta recursos pras coisas mínimas ou se aumenta impostos sobre uma população arrochada. Está na lei que regula a magistratura. Mas é uma dessas leis corporativas criadas sob  pressão e aprovadas nos conchavos entre poderes pra benefício mútuo. Extremamente corporativo, o Judiciário sempre lidou com situações semelhantes alegando as particularidades das funções exercidas pela magistratura. Mas como fiam todas as demais categorias do serviço público: nenhuma outra tem complexidades particulares?

O episódio foi tratado de maneira corporativa e serviu pra reduzir a credibilidade do Poder Judiciário num momento em que aqui e ali magistrados mais arejados recuperam espaços junto à cidadania brasileira.

O Poder Judiciário, como os demais poderes, precisa entender que a sociedade está no limite de tolerância com as corporações públicas. O episódio entrou pra crônica brasileira. Será sempre citado como exemplo negativo. Não importa que esteja na lei dos magistrados. No inconsciente coletivo entrou como mais um péssimo exemplo do Estado brasileiro!

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br    www.onofreribeiro.com.br



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