• Cuiabá, 27 de Abril - 00:00:00

Questões Maggi

            O senador Blairo Maggi, de Mato Grosso, hoje ministro da Agricultura e Agropecuária, vem sofrendo uma série de revezes neste ano. Depois de quase um mês percorrendo o mundo na tentativa de aumentar a participação brasileira nas exportações de alimentos e afins do mundo, sofreu uma batida de frente da Operação Carne Fraca.  Surgida a partir de investigações da Polícia Federal sobre o serviço de inspeção do Ministério da Agricultura, a divulgação dos resultados feriu de morte as exportações de carnes brasileiras.

            De novo ele teve que dar outra volta ao mundo pra desmanchar a marca ruim que ficou. No final o que se viu de fato um delegado afoito, cativado pelo brilho das câmeras da televisão. Em seguida a rejeição da carne in natura brasileira por parte dos Estados Unidos. Neste caso havia alguns nódulos na carne, tipo hematomas internos causados pela recente vacinação de febre aftosa no mês de maio.

            De novo outra operação de apagar incêndio e nova volta ao mundo pra explicar que são casos pontuais e não uma característica da carne brasileira. Aliás, umas melhores do mundo. O problema é que o peso comercial dos Estados Unidos pode influenciar outros países importadores a vetarem a carne do Brasil. Bom lembrar que nos mercados globalizados, a competição é pesadíssima. Qualquer motivo vira um furacão.

            Nesta semana um avião carregado de drogas vindo da Bolívia com plano de vôo falso afirmou ter decolado de uma pista em fazenda do Grupo Ammagi no noroeste de Mato Grosso. Durou cerca de 48 horas o equívoco, mas o tempo bastante pra causar outro estrago. Desta vez a notícia falsa veio de pilotos da Aeronáutica que perseguiram o avião até o interior de Goiás. Esclarecido o equívoco, ficam as confusões que sempre deixam essas coisas ruins.

            Porém, concretamente, parece haver uma bateria de azar, de fatalidades ou política mesmo em torno de Blairo Maggi. De um lado, ele paga o preço de ser uma personalidade do agronegócio mundial dentro de um governo gasoso como o governo Temer. De outro, o seu peso econômico parece refletir no seu peso político e isso traria junto essas agonias recentes.

            De um modo ou de outro, nenhum dos três fatos recaem sobre a sua cabeça diretamente. A única citação que também o incomoda muito é o apontamento em delação da Odebrecht como suposto beneficiário de repasses da empresa quando era governador de Mato Grosso. Em recentes postagens e entrevistas ele se disse profundamente amargurado e fora da acusação. Isso é assunto pra outra instância.

            Mas é mesmo no Ministério da Agricultura que a maré de azar parece perseguir Blario Maggi. Por acaso, o ministro da pasta.

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br   www.onofreribeiro.com.br        

 



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