• Cuiabá, 12 de Dezembro - 00:00:00

Briga dentro do PSB

O clima no PSB/MT continua ruim. Tudo começou com a destituição do deputado Fábio Garcia da chefia da agremiação, bem como a de toda diretoria provisória. Destituição motivada pelo desrespeito deste parlamentar à assembleia nacional do partido, que havia se posicionado contrário à reforma trabalhista. Punição correta, mas contrariou as principais figuras da sigla no Estado, as quais passaram a sinalizar suas saídas da agremiação na próxima janela partidária. Foi, exatamente, neste momento em que se deu a filiação e a ascensão à presidência da sigla do parlamentar Valtenir Pereira, até para evitar a desorganização e a fragilidade do partido no Estado, com as saídas já anunciadas dos descontentes. 

Estratégia que se somou a outra, a do próprio parlamentar, pois, historicamente, o PMDB não elegeu dois candidatos a Câmara Federal. Há muito, apenas o Carlos Bezerra vem sendo reeleito. Valtenir, desse modo, pensou nas eleições de 2018, sem perder de vista o fato de que ele vem perdendo votos consideráveis de uma disputa para outra. Por outro lado, o PSB também não reelegerá três deputados federais (Valtenir, Fábio Garcia e Adilton Sachetti), independentemente da aliança ou dos rearranjos partidários para a disputa do ano vindouro. Acontece, porém, que esta situação não ocorrerá, uma vez que os descontentes migrarão para outra sigla. 

Estes descontentes ameaçaram recorrer a Justiça para retomarem a presidência da sigla, ou passaram a defender uma nova eleição interna para a escolha do “novo” presidente. Curiosamente, (e) leitor, até outro dia, o Fábio Garcia, Oscar Bezerra, Eduardo Botelho e o Mauro Mendes não falavam em eleições internas. Contentavam-se sempre com a diretoria provisória. Não reclamaram, nem diziam que os presidentes, anteriores ao Valtenir Pereira, foram “empurrados goela abaixo” (risos).

Comportamento bastante diferente de agora. Hoje, eles fazem muito barulho, porém sem êxito algum tanto na executiva nacional do partido, como na Justiça. Caso algum juiz viesse a lhes dar ganho de causa, cometeria três grandes erros: (a) agrediria a legislação eleitoral, (b) desrespeitaria o estatuto do partido e (c) agrediria o artigo 17 da Constituição Federal, no que diz respeito ao caráter nacional dos partidos. Portanto, os descontentes jamais conseguirá destituir da presidência do PSB o deputado Valtenir Pereira. Eles sabem disso. Mas, então, por que fazem todo o barulho? Questão importante, cuja resposta é bastante simples. Os descontentes fazem todo esse barulho com vista à criação de uma situação que possa lhes favorecer: ou de configuração de perseguição política e de falta de espaço dentro do partido, ou que venha a provocar suas próprias expulsões da agremiação. E, então, claro, desfiliarem da sigla tranquilamente, sem o prejuízo da perda dos mandatos de deputado estadual e de deputado federal.

O atual presidente da sigla demonstra que não caiu nesta armadilha, pois segue em silêncio ou com depoimentos vagos, e não bate de frente com os descontentes. Ele sabe que terá um longo trabalho dentro do PSB. O mesmo PSB que havia deixado por conta da briga interna e direta com o ex-prefeito Mauro Mendes. O Mauro Mendes e o Valtenir não cabem juntos no PSB. Não couberam antes, e não cabem agora. Isto porque não sabem se movimentar sob o signo da democracia. É isto.

 

Lourembergue Alves é professor e analista político.

E-mail: lou.alves@uol.com.br.



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