• Cuiabá, 22 de Junho - 00:00:00

As verdades dos bandidos

Você já deve ter ouvido, ou mesmo falado, a frase “o Brasil tem que ser passado a limpo”. Por ironia do destino, se isso ocorrer será através das verdades extraídas da boca de um punhado de bandidos que durante muito tempo tem se fartado do dinheiro público. Mas gente tão suja terá condições de passar alguma a limpo?

Voltando um pouco no tempo vamos encontrar figuras como Pedro Collor, lá do caso do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, ou de Roberto Jefferson no caso do mensalão. Agora temos o Marcelo Odebrecht e seu grupo (41 já fazem parte da lista, incluindo o próprio pai) e os irmãos Batista (Joesley e Wesley). Podemos acrescentar ainda o Eike Batista, que não é parente de sangue dos açougueiros e ainda não delatou nada, mas também chafurdou no dinheiro público, portanto pode abrir uma nova frente de escândalos.

A queda de Fernando Collor começou com seu irmão Pedro Collor, que em companhia da mulher, Tereza, do seu advogado e de uma equipe médica, disse em entrevista coletiva que não poderia provar todas as acusações contra Fernando Collor e PC Farias que fizera à revista Veja, mas, mesmo assim, estava com a consciência tranquila. Também tornou público o resultado dos exames de sanidade mental a que tinha se submetido. Segundo o laudo, ele estava apto a realizar todos os atos de responsabilidade civil e não apresentava nenhum diagnóstico psiquiátrico, na ocasião o depoimento foi aceito como prova.

Durante o julgamento do mensalão ouvimos do ministro Cesar Peluso a seguinte frase: "A Câmara (dos Deputados) pagou por texto que até aluno da quarta série escreveria". Isso foi durante a leitura de seu voto, que condenou o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) por corrupção passiva e peculato e Marcos Valério por todos os crimes dos quais o réu é julgado, só mais tarde os acusados são presos.

A questão agora é o seguinte: acreditar ou não na palavra dos bandidos? O que não dá é para sermos seletivos na nossa crença, ou tudo que falaram é verdade, ou tudo que falaram é mentira. Não podemos ser nem partidários nem ideológicos.

O perigo é quando achamos que tudo tem que ter provas materiais, ou seletivamente para somente para alguns. Sabemos que os benefícios do poder nem sempre se materializam. A manutenção de influência no poder, ou mesmo o acesso a informações privilegiadas, ou a possibilidade de outros negócios associados ao Estado ou ao status quo nem sempre passam pela conta corrente do beneficiado, nem por isso é menos crime.

Lembrando uma das tantas frases de Roberto Jefferson por ocasião do mensalão: “Rato magro. Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza. Rato magro. PC Farias é aprendiz de feiticeiro ante essa gente que assaltou o Brasil. Rato magro.”  E agora como seria o povo dos Batistas? dos Batistas?

Há muitas questões a serem respondidas sobre o passado, principalmente pelos irmãos açougueiros Joesley e Wesley Batista. Eles falam como se os últimos três anos fossem tudo, neste tempo eles já estavam ricos. O Brasil precisa saber como do açougue de Goiás eles foram para o mundo dos grandes negócios, se tornando multinacional em tempo recorde. Segundo: estão agindo a mando de alguém? E por quem?

Com tudo isso temos uma geração inteira perdida em corrupção, dos menores atos aos mais graduados, dos homens mais humildes aos chefes de estado. Ainda temos o Judiciário? Eu fico com a frase de Benjamin Disraeli: “Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis”.

As verdades de bandidos não vai passar nenhuma país a limpo, muito menos o Brasil, prova disto é que nem Pedro Collor na era Collor, nem Roberto Jefferson no mensalão, fizeram um país melhor e nem os bandidos de hoje farão um país melhor. Simples, para um país melhor precisamos de uma sociedade melhor para produzir dirigentes melhores.

 

João Edison é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso



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