• Cuiabá, 19 de Novembro - 00:00:00

Reaprender a governar

Os cabelos brancos nos dão certas liberdades. Como a de sugerir lições baseadas em vivências. Explico. Jornalista há 44 anos, 40 em Mato Grosso, aficionado pela História, e tendo vivido o “diabo” em experiências ou assistido o mundo girar vezes e mais vezes, penso que, no mínimo, dê pra formular opiniões. É o caso neste artigo.

Vejo o governador Pedro Taques nadando em poço de redemoinho no governo de Mato Grosso. Por onde bate os braços a correnteza o puxa pra baixo. Vem de crise em crise. O primeiro ímpeto é o de acusá-lo de incapacidade na gestão. É o 13º. governador depois da divisão de Mato Grosso, em 1979. De lá até aqui ninguém governou numa boa, exceto Blairo Maggi e Silval Barbosa que surfaram em onda de prosperidade.

De 2014 pra cá, início do segundo mandato Dilma Rousseff o Brasil entrou na descida e vem descendo com fé. Nesse intervalo os governadores que começaram juntos o seu mandato, estão vivendo na corda bamba. Mato Grosso tem uma condição boa por sua economia que está bem no mercado mundial de alimentos. Mas a Lei Kandir judia dos estados produtores de commodities agrícolas.

Nesses dois anos e meio vi o governo Pedro Taques fazer invenções e malabarismos pra lidar com esses cenários de desmonte da política e da economia brasileiras. Os demais 26 governadores vivem cada um o seu dilema. Os piores são o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Mas outros estão na corda bamba cada vez mais bamba.

Vejo os malabarismos do governador pra se equilibrar nesse cenário que é muito ruim e sempre se renova em setores como o da saúde neste momento. Outros virão, somando-se aos que já vieram tipo RGA, etc. O que está muito claro é que não é mais possível a nenhum gestor federal, estadual ou municipal repetir velhas fórmulas de gestão e conseguir governar. Neste momento o governador Pedro Taques corre o perigoso risco de cair no isolamento e receber as culpas coletivas, se não se articular aberta e claramente com a sociedade e os setores institucionais públicos e privados. Todos fazem parte do mesmo cenário da crise brasileira e estadual.

Ou nos salvamos todos ou morremos todos. Mas a iniciativa de pedir socorro deve ser do governador Pedro Taques. A sociedade entenderá um pedido de socorro sincero e bem intencionado. O inconsciente coletivo sabe disso. Setores arredios ou descompromissados, serão pressionados pela realidade do bem e da sobrevivência do coletivo. Estamos todos na mesma canoa furada.

Pra terminar o seu mandato dentro das expectativas da governabilidade, o governador Pedro Taques terá que se adaptar e prender a governar nos novos cenários muito diferentes daqueles que o levaram ao poder em 2014. A sociedade, certamente o apoiará!

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br  www.onofreribeiro.com.br



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