• Cuiabá, 22 de Julho - 00:00:00

China e MT

A China tem três trilhões de dólares em títulos do governo norte americano com rendimentos limitados. Quer gastar parte disso em 65 países em investimentos que dê mais retorno. Está sendo chamado de novo Plano Marshall. Aquele plano que os EUA criaram para investir pesadamente na Europa depois da segunda guerra mundial para impedir que a região fosse para o socialismo.

Uma parte daquele dinheiro chinês pode vir para a América Latina. Em 2015, num encontro em Pequim, com 33 países da Celac ou Comunidade Latino Americana e Caribe, o primeiro ministro da China disse que seu país iria investir 250 bilhões dólares nos próximos dez anos na região. E que iria “tomar espaço” dos EUA na área.

Bancos chineses já investem mais na América Latina do que o BID e o Banco Mundial juntos. O comércio entre a China e a região está em torno de 300 bilhões de dólares, a intenção e levá-lo a 500 bilhões nos próximos anos.

Vindo para MT. Empresa chinesa comprou 57% da Fiagril de Lucas por um bilhão de reais. E também a Cofco, a gigante empresa chinesa de comercialização de grãos, pretende ter espaço em nossa região (e no mundo) numa competição com as quatro grandes do setor (Bunge, Cargill, ADM e Dreyfus). A Amaggi não é tão grande como elas. Sua presença maior dentro do grupo está na força politica do Blairo Maggi.

Os chineses falam também em construir uma ferrovia que ligaria o Atlântico ao Pacifico. Talvez o trecho mais longo dela seja o que passa em Mato Grosso, indo da divisa de Goiás até a de Rondônia. Naqueles 250 bilhões, não daria para os chineses tirarem 10 bilhões para a ferrovia Transoceânica, sua maior obra na América do Sul? Já pensou os chineses com uma ferrovia e uma trading em nossa região? Talvez se possa dizer que, se isso acontecer, Mato Grosso seria o lugar na América do Sul que mais se beneficiaria.

Estamos ligados ao Atlântico por 500 anos, não seria tempo de lutarmos por uma saída para a Ásia, lugar de economia mais dinâmica do mundo?

As tradings estão com receio da competição com a Cofco? A construção da Ferrogrão para o Canal do Panamá seria o plano das tradings para atrapalhar a ferrovia dos chineses ou para estabelecer uma sadia competição?

Mais perguntas. Não seria interessante para MT e a América do Sul que as duas maiores potências do mundo, EUA e China, estabelecessem competição capitalista e não ideológica em nossa região? Por que continuarmos amarrados somente nas tradings com base nos EUA e somente ligado ao Atlântico?

Por que as pessoas do agro e da politica no estado ficam com receio de falar sobre esse assunto? O setor tem alguma informação concreta de que os chineses desistiram da construção da ferrovia Transoceânica? Não dá para ter uma conversa com os chineses sobre esse assunto frente à informação do gigantesco investimento deles pelo mundo?

 

Alfredo da Mota Menezes escreve às quintas-feiras nesta coluna.

E-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com



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