• Cuiabá, 22 de Julho - 00:00:00

Infinitos tons de cinza

Quando se pensa na expressão 'tons de cinza', logo vem à mente o livro 'Cinquenta Tons de Cinza' (2011), tradução para o português da ficção erótica 'Fifty Shades of Grey' da autora inglesa Erika Leonard James. O trocadilho entre o sobrenome do personagem central e a cor se perde na tradução, mas a intriga por saber que nuanças são enfocadas permanece.

A obra mais conhecida do artista plástico cubano Wilfredo Prieto também lida com os cinzas. Seu trabalho 'Apolítico' (2001), apresentado em diversos países, inclusive na Bienal de Arte de São Paulo (2010), tornou-se uma referência obrigatória, sempre com ampla, repercussão e paixão, num espectro que vai do amor pelo conceito a criticas ferozes.

A proposta de Prieto é, como muitas das melhores sugestões em arte contemporânea, aparentemente simples. Consiste em apresentar, em locais públicos, todas as bandeiras dos países em tons de cinza. Elas deixam de ser o que eram, mas não chegam a se tornar inteiramente outra coisa, pois suas características primordiais formais são mantidas.

No poema 'Cidade prevista', Carlos Drummond de Andrade falava de "uma terra sem bandeiras". Prieto, neste trabalho já paradigmático, aponta para uma homogeneização. Os tons de cinza são uma positiva igualdade ou uma perigosa perda de identidade, contrária à diversidade? Muito arte ainda será produzida sobre isso.

 

Oscar D'Ambrosio - Doutor em Educação, Arte e História da Cultura e Mestre em Artes Visuais, atua na Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp.



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