• Cuiabá, 27 de Maio - 00:00:00

Prioridades

Volto ao assunto da rodovia BR-163 que está em profunda crise de tráfego. Pior. Associando isso com o escoamento da produção de grãos através dela. Nesta semana conversei superficialmente com o secretário de Infraestrutura do Governo de Mato Grosso, Marcelo Duarte Monteiro, que acabara de chegar de uma visita à rodovia e aos portos de embarque de Miritituba, no Pará, na confluência dos rios Tapajós e Amazonas.

A história da rodovia Cuiabá-Santarém foi esquecida, mas o seu projeto da década de 1970 pretendia abrir uma veia dentro da Amazônia, subindo do Rio Grande do Sul até o rio Amazonas. Era um tempo de ocupar a Amazônia por uma série de razões estratégicas do governo militar à época do general-presidente Emilio Garrastazu Médici. A conclusão da obra, mesmo sem asfalto deu-se em outubro de 1976. Serviu de canal para a entrada de migrantes ao lado do seu leito. A grande produção agrícola veio bem depois, algo como 20 anos.

Nos últimos anos a produção agrícola do Médio-Norte de Mato Grosso passou a sofrer muito com o longo trajeto de grãos até os portos de Santos, Tubarão e Paranaguá. Com o interesse das tradings que operam em Mato Grosso em embarcar pelos portos do Norte, começou o desvio das cargas para os portos de Miritituba e Santarém. A capacidade de embarque vem crescendo muito rapadamente, ao ponto de calcular-se que em 2017 opere com 7 milhões de toneladas, num cenário de 15 milhões em dois anos.

O que de concreto ficou nesse arrojo, foi a desconexão política nos estados do Pará e de Mato Grosso pra concluir menos de 100 km de asfalto onde estão os imensos atoleiros vistos pelo Brasil inteiro através da mídia.  Apesar do agronegócio ter boa base política, pagou bobeira neste ano. Tão importante quanto produzir será em 2017/2018 pressionar os governos regionais e o federal a construírem a infraestrutura no chamado Arco Norte. Os projetos para a região serão inevitáveis.

 

Onofre Ribeiro é jorn alista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br    www.onofreribeiro.com.br

 



0 Comentários



    Ainda não há comentários.