• Cuiabá, 25 de Fevereiro - 00:00:00

A eterna BR-163

Onofre Ribeiro Onofre Ribeiro

Há duas semanas o drama da fila de caminhões atolados na BR-163, no Pará, vem tirando o sono dos produtores de soja. Em troca, silêncio no mundo político. Na quinta-feira o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tocou fundo no assunto e, quem sabe, faça algum parlamentar estadual ou federal acordar do sono esplêndido. Segundo Maggi o prejuízo até agora é de R$ 350 milhões numa série de problemas em cascata. Vamos entender melhor esse drama. As informações são de Edeon Vaz Ferreira, do Movimento Pro-Logística, uma entidade mantida pelo setor agro de Mato Grosso.       

Da divisa de MT com o Pará até o porto de Miritituba, são 796 km, dos quais apenas 94 ainda não são asfaltados. Esse trecho de 94 km é dividido em duas partes. 52 km depois do município de Novo Progresso. O outro trecho é de 42 km e fica na outra ponta mais ao Norte, entre Santa Luzia e Caracol. É nesse último trecho que tem 30 km de leito natural em terra sem tratamento. São seis atoleiros. Com as chuvas constantes. Foi aí, principalmente, que ficaram parados, atolados ou esperando a vez de passar, cerca de 1.500 veículos, a maioria carretas levando soja para os portos de Miritituba.

A expectativa, diz Edeon, é que até ontem estivesse liberada a rodovia, dentro de um sistema “stop and go”, com o tráfego dividido por períodos entre os quais se faz a manutenção da estrada arrebentada pelas carretas pesadas. Os caminhões vazios já voltaram para Mato Grosso e os carregados estão indo pra Miritituba. Espera-se para o restante da colheita da soja que o tráfego seja normalizado nesses trechos. Por ali escoa-se neste ano algo como 7 milhões de toneladas de soja e milho produzidos no Médio-Norte de Mato Grosso.

Maior parte do prejuízo dos agricultores mato-grossenses é a perda da colheita na estrada nos tombamentos de caminhões e na perda do embarque em navios que desistem de esperar e descem para portos do Sul e do Sudeste do Brasil. Mas durante a espera da carga que está atrasada os navios cobram uma pesada taxa de “demourage”, a título de indenização pela espera.     

Pode ser que num país quebrado, profundamente dependente das exportações de commodities agrícolas, finalmente as filas de caminhões atolados ou entalados sirva de pressão para que se asfalte os 94 km de terra e no ano que vem não tenhamos mais essa novela.

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br   www.onofreribeiro.com.br



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