• Cuiabá, 15 de Julho - 00:00:00

Como ser feliz no Brasil?

Por que essa pergunta? 

Ser feliz aqui é diferente (não pior, não mais difícil, mas diferente) do que em outros lugares? 

Creio que sim. Cada país, alicerçado por suas culturas na condução de seu futuro, tem suas peculiaridades. E, para ser feliz, se contentar com o que a vida nos proporciona, se deve ao que conquistamos pelo caminho. 

Não me refiro a conquistas pecuniárias, a bens, mas a outro tipo muito mais importante. Me refiro a valores, amizade, consideração, amor... Enfim, são coisas muito mais caras do que os bens que podemos conquistar no nosso pequeno período que passaremos aqui entre nossos pares.

O motivo de minha pergunta no título desse texto se deve ao esforço descomunal empenhado por nossos líderes políticos em tornar nossa felicidade mais distante. Afinal, como se tem dito há muitos anos, o exemplo vem, ou deveria vir, de cima. Aqui no Brasil, esse tal exemplo não é visto em cima.

 Então, como ser feliz aqui?

Por certo, devemos nós sermos o exemplo que não enxergamos acima.

A minha geração, creio, já perdeu o ponto pra exercer mudanças, pelo menos na prática. Então, tenho procurado forjar o caráter dos mais novos, para que vejam que o certo, o ético, o moral, é o melhor. Tento incutir na cabeça desses futuros gestores da vida (começando pelos meus filhos) que "não se pode fazer aquilo que não queremos que façam conosco". Creio que isso resume o que é de melhor na conduta em grupo.

Seríamos felizes só fazendo isso? Não sei dizer, mas creio que seja um bom começo pra alcançar a maioridade do "bem coletivo". 

Um exemplo de como uma ação boa puxa outra, pelo menos o que tenho visto, é o respeito à faixa de pedestre. Todos aprendemos nas auto-escolas (Centro de Formação de Condutores) que o pedestre tem preferência no trânsito, mas não é o que se vê no Brasil, de um modo geral. Porém, aqui em Cuiabá, estamos respeitando essa regra. E sem nenhum incentivo dos governantes. Apenas porque um condutor fez, o outro viu e copiou, formando, assim, a conhecida "corrente do bem".

Não podemos, então, aguardar os outros para mudarmos a nossa cultura. Devemos começar nós mesmos. 

Uma lei pode ser mudada pelos nossos representantes com uma simples "canetada", e por interesses diversos e escusos, às veze. Mas, saibam, eles nunca poderão mudar nossa cultura. Pertence a mim o que eu quero de melhor para os meus filhos e netos e bisnetos.

Um mal exemplo vindo de cima, dos senhores que gostam de ser chamados de excelências, com letra maiúscula, está na nova proposta de mudanças na previdência. Por certo, algo tem que ser feito para evitar a falência desse instituto. Mas, e o exemplo "superior"? Alguém ouviu algo assim: Vamos mudar a previdência e diminuir os gastos começando por nós, deputados, senadores, vereadores, governadores. Eu não. E me perdoem se eu estiver desinformado. Parece que, aqui no Brasil, querem mudar as coisas sempre começando pelos outros. Difícil esse pessoal pensar daquele jeito que disse acima: faça apenas o que quer que façam contigo. 

O que vemos hoje é o aumento dos ganhos dos políticos, como se eles tivessem mais importância do que os demais trabalhadores do país. Salários, verbas de gabinete, verbas indenizatórias. Suas excelências (com letras minúsculas) são infinitamente inferiores do que os professores, policiais, engenheiros, pedreiros, garis, enfermeiros, médicos, e por aí em diante. 

Seremos nós que deveremos mostrar a esses megalômanos que suas importâncias são pálidas, ante aos demais. Que são meros servidores públicos, embora políticos. São humanos e não merecem mais do que nosso respeito, o que sequer têm hoje.

E a tal felicidade referida no título? Como alcançar?

Também não sei. Mas creio que um bom começo é fazer o bem, o que é certo, segundo os valores ditos acima. Pelo menos, garanto a vocês que me sinto muito bem quando faço o que é certo. E isso, certamente, formará a referida corrente do bem.

Assim, convido todos vocês a formarmos nossa cultura, nossos valores predominantes, no que é bom, correto, justo, ético, moral, e mostrarmos que somos nós os condutores da nossa nação, da nossa vida e do nosso futuro.

 

Flávio Henrique Stringueta 

Delegado de Polícia 

Gcco - Gerência de Combate ao Crime Organizado 

Mato Grosso



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