• Cuiabá, 15 de Julho - 00:00:00

O que dizer?

O que dizer da matança nos presídios do Amazonas e de Roraima? Em torno de 100 presos mortos em duas ocasiões. 

Não creio que eu tenha algo mais a dizer, pois já vem sendo dito muita coisa em vários canais, por repórteres, apresentadores e comentaristas ditos especialistas em segurança. 

E o que dizer de uma outra matança, que não teve o mesmo espaço na mídia e nem nas redes sociais, e nem em rodas de conversas informais? Estou me referindo à morte de 477 policiais no ano passado, e de quase 500 em 2015. Parece que isso está sendo um lugar comum em nosso país. Não causa repulsa, comoção. Talvez curiosidade apenas.

Vi o Ministro da Justiça divulgando um tal de Plano de Segurança logo após as duas situações de mortes de presos. Vi também a Presidente do STF falar algumas coisas a respeito, e fazer duas viagens ao local dos fatos, dando extensa atenção às vítimas impolutas da omissão do Estado.
Sim, é necessária essa intervenção estatal nesse setor, onde o poder público se faz pouco presente. É até tardia essa interpretação.

Mas não se está dando a mesma importância, senão nenhuma, atenção às vítimas da omissão do estado que estão nas ruas, sem policiamento adequado, a quem são disponibilizadas polícias desestruturadas, desaparelhadas, inadequadas, enxutas em homens, que ainda estão sendo assassinados apenas por estarem do lado certo da lei, ou quando estão confrontando os impolutos e infelizes e desafortunados desamparados pelo estado.

Vi também uma postagem do renomado jornalista Alexandre Garcia, onde ele compara as mortes por, e de, policiais no Brasil e nos EUA. Ele conclui que a polícia brasileira mata mais do que a norte americana, mas morre muito mais também, e ninguém critica isso. Só falam de sua conduta ativa. 

Alexandre Garcia foi muito feliz em sua fala. Pena que as suas palavras não chegam à maioria, tão somente a poucos, e levadas em conta por muito menos, somente por aqueles que se interessam pelo tema. Triste, pra ficar no mínimo.

Estou com medo, muito medo, de fazer parte, este ano, ou no seguinte, desse número absurdo de mais de um policial morto por dia no Brasil.

Que Deus me proteja.
Que Deus nos proteja. 
Oremos.


Flávio Henrique Stringueta 
Delegado de Polícia 
Gcco - Gerência de Combate ao Crime Organizado 
Mato Grosso



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