Artigo - Jamais o mesmo Natal - Foco Cidade
  • Cuiabá, 14 de Agosto - 00:00:00

Jamais o mesmo Natal

Quem acha que uma pesada crise política como a atual se resuma apenas em desdobramentos imediatos, não imagina o quanto está enganado. O Natal que o diga. Anos anteriores o “espírito natalino” empurrava ilusões sem fim para os shoppings centers e pros balcões do consumo. Gastos impensados em cartões de crédito, em cheques especiais e contas e mais contas pra pagar em janeiro. Obrigação de presentear.

Em 2016 o Natal está recatado. Como moça pedida em casamento e não sabe se quer casar. As pesquisas estão mostrando que as pessoas empregadas agem como se estivessem desempregadas, por medo de serem dispensadas. As desempregadas já estão mesmo na situação difícil. Mas o pior são aqueles desempregados há mais tempo, que desistiram de procurar emprego.

O Natal chegou pra todos. O espírito natalino está triste diante da dura realidade econômica do país e da situação financeira das famílias. Isso pode ser ruim, mas é bom. Finalmente os brasileiros se percebem numa situação parecida com uma guerra. O país nunca experimentou uma guerra. Nunca vimos tudo cair e morrer ao redor. Nunca vimos uma situação em que o dia de amanhã esteja definitivamente ameaçado. Sempre nos escondemos atrás de fanatismos como as religiões, o futebol, as telenovelas, o álcool, o cigarro, etc. Nunca nos assumimos como nação interessada no seu futuro. A política percebeu isso e sempre nos tratou como rebanho. Deixamos.

Em 2016 o Papai Noel, ridículo em seu traje do hemisfério norte, vai povoar menos cabeças e menos imaginações. No seu lugar, presentinhos, mais por delicadeza do que pela tradição do “espírito natalino”. Do ponto de vista da nação isso representa amadurecimento. Menos panetone, menos as ridículas castanhas que não combinam com o nosso calor forte. Ridículos champanhes de cidra, ridículas árvores de natal. Nada contra o Natal em si mesmo. Ele tem a sua simbologia cristã que ajuda a animar a fé. Mas não pode mais ser tratado como remédio pra acalmar as consciências omissas de 205 milhões de brasileiros alienados.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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