• Cuiabá, 21 de Setembro - 00:00:00

A segurança pública em Mato Grosso está sem rumo

“Para quem não sabe onde quer chegar, qualquer lugar serve”. Essa é a triste realidade que vivemos em relação às ações e programas desenvolvidos na Segurança Pública de Mato Grosso que, neste atual governo, já teve três secretários a frente da pasta e nenhum deles conseguiu deixar claro qual o planejamento a ser executado e as metas a serem atingidas para o combate efetivo da crescente criminalidade tanto na capital, como no interior. O repetido discurso dos secretários é sempre o mesmo: “os índices estão reduzindo e o governo já investiu 300 milhões na Segurança Pública”. Parece frase decorada que soa como um mantra, mas que não retrata a guerra cotidiana das ruas, dos bairros, dos centros comerciais, das imediações das escolas e, agora, até mesmo do Comando Geral da Polícia Militar, onde os roubos e furtos da população e seus patrimônios (veículos, casas, dinheiro, etc.) se tornam cada vez mais comuns e rotineiros, sem mencionar os latrocínios (roubo seguido de morte) que acontecem todos os dias. Alguma coisa não está batendo.

Os 300 milhões investidos na Segurança Pública dá-nos a impressão que não trouxe nenhuma melhoria para o sistema uma vez que ninguém é capaz de pontuar com certeza os avanços e impactos conseqüentes desse considerável investimento, somente a propaganda governamental teima em reafirmar que está tudo bem. O cidadão não sabe onde e como foram investidos esses recursos, nós, policiais, também não sabemos, pois na nossa concepção, locação de viaturas e recompletamento de efetivo não podem ser considerados investimentos.

Ao afirmar que a Segurança Pública de Mato Grosso está sem rumo, estamos dizendo que as decisões tomadas, em alguns casos, parecem ter surgidas do acaso, como a convocação de 1.200 PMs e 300 bombeiros militares do cadastro reserva, do concurso realizado em 2013. Mesmo admitindo a boa intenção do governador, é difícil acreditar que essa decisão foi tomada de maneira planejada, uma vez que primariamente o concurso na PMMT previa a convocação de 1.200 candidatos e o governo incorporou o dobro disso, parece-nos, que sem uma análise sólida da condição de preparo do Estado para corresponder ao custo salarial, aquisição de fardamento e armamento, formação, adequação de instalações para recebimento desse contingente e alimentação para esses novos policiais.

Faltou orientação ao governo, pois o Estado não estava preparado para isso e como prova podemos elencar a inexistência de previsão de pagamento de horas aulas para as instruções desses alunos, também não houve previsão de munições para o preparo desses novos policiais, enfim, faltou quase tudo para uma formação de qualidade.

A falta de planejamento do governo traz conseqüências ao bom funcionamento da estrutura que antes existia, ou seja, o policial que, por força de lei, tem o direito de receber do Estado, anualmente, o seu fardamento para o desempenho do seu trabalho, neste governo ainda não recebeu nada, cada policial tem adquirido, com recursos próprios, o seu fardamento. Achamos ser interessante a sociedade saber que nesses últimos três anos o Estado não forneceu uma peça de farda a qualquer policial. A capacitação continuada dos policiais e bombeiros, bem como a manutenção e investimento nos quarteis não existe e temos, a partir de agora, que conviver com situações esdruxulas como a que ocorreu esta semana, numa tentativa de assalto ao quartel do Comando Geral da Polícia Militar com a explosão de um caixa eletrônico. O desmonte da estrutura administrativa da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar enfraquece as instituições em suas atividades finalísticas (o policiamento ostensivo e a prevenção e combate a incêndios), além de impossibilitar a realização de simples instalação de um sistema de câmeras e alarme em qualquer unidade militar. Não podemos adquirir absolutamente nada, pois não temos autonomia administrativa.

A Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiros Militar de Mato Grosso, acreditando que ainda há tempo para se colocar a Segurança Pública no trilho, vem, oportunamente, fazer um alerta ao Governador Pedro Taques. È preciso tratar a nossa segurança enfrentando os problemas estruturais como a autonomia das instituições, a realização de um planejamento estratégico, a adoção de procedimentos de solução de conflitos e o aperfeiçoamento da atividade finalística.

Esperamos que o governo tenha a humildade e a grandeza para ouvir esse alerta.

 

Wanderson Nunes de Siqueira é Tenente Coronel da Polícia Militar e Presidente da Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar de Mato Grosso.



0 Comentários



    Ainda não há comentários.