• Cuiabá, 22 de Outrubro - 00:00:00

Segundo turno

Confesso que no primeiro turno da eleição para prefeito de Cuiabá não prestei muita atenção nos debates entre os candidatos. No segundo turno sim. Apesar de não gostar do modelo dos debates na televisão. Muito restritivos. Prefiro mais a conversa do que o marketing televisivo.

No segundo turno a eleição se polarizou ent6re dois experientes deputados estaduais. É natural que haja a necessidade de um espaço muito maior na campanha dessa fase, para discussões sobre as capacidades de cada um. Penso que já passou o tempo de propostas. Todos sabem já as conhece. O que eleitor não sabe é exatamente quem são esses dois homens, aqui falo deles como pessoas, que desejam governar a cidade nos próximos quatro anos.

Mas eles estão sendo muito prejudicados pelo rigor da justiça eleitoral. Parece que o engessamento das regras desta eleição deseja dois piedosos sacristões disputaando o voto para saber quem vai ajudar o padre a celebrar a missa. É muito mais do que um ofício religioso. O eleitor-cidadão tem o direito de conhecê-los no limite das pressões. No cargo, as pressões são o prato de todos os dias. Ambos tem pecados piedosos e pecados pouco-piedosos. Porque não deixar o eleitor saber disso?

Essa estória de que a campanha é só de baixarias, é conversa! O eleitor sabe quando é baixaria. Por exemplo: se um dos candidatos atacar a vida familiar do outro, é baixaria Se atacar as desgraças familiares, também é baixaria. Mas quando se discute os seus atos passados e presentes, não é baixaria. Compreendo o puritanismo dos magistrados eleitorais. Mas estão atrapalhando a democracia. O regime democrático pressupõe amplas discussões. Até o limite! Prova disso está no fato de que o candidato Emanuel Pinheiro viu sua rejeição crescer na medida em que surgiram denúncias a seu respeito. A rejeição de Wilson Santos caiu de 54% para 40%, a dura penas. O eleitor tem o direito de saber as razões da rejeição de ambos.

Lembrando, pra finalizar. O futuro prefeito vai governar Cuiabá sob fortíssima pressão da sociedade, da crise financeira que ainda vai piorar muito, dos problemas e da rejeição à política e aos políticos. Por isso, tem que ser um forte. E a força se testa na batalha dura. Gosto do segundo turno. Quanto mais briguento, melhor pro eleitor! Eleição não é missa.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br   www.onofreribeiro.com.br

           



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