• Cuiabá, 15 de Novembro - 00:00:00

A crise é real

As gerações que ficaram adultas desde 1994, não tiveram o desprazer de conhecer algumas das pragas que devastaram o Brasil: juros altos, inflação, o sobe e desce na economia, desemprego em massa e a sensação de morrer a cada dia quando o trabalho valia cada vez menos. Porém, as duas gestões da ex-presidente Dilma Rousseff conseguiram derrubar o histórico dos 20 anos de estabilidade da economia brasileira desde o Plano Real. Com isso, os jovens de hoje estão perdidos na nuvem de poeira.

Em Mato Grosso essa crise em cascata demorou pra chegar. De 2014 ela veio atingindo estado após estado. Poderosos como Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro desintegraram a sua estabilidade. Porém chegou a Mato Grosso. Queda de arrecadação e dos repasses contratados com o governo federal. No meio do mês de setembro o governo estadual chegou à medida extrema de escalonar o pagamento dos salários do funcionalismo público, que consomem R$ 600 milhões por mês. Na mesma esteira corte de investimentos, reescalonamento do horário de funcionamento do serviço público, redução de custeio e gastos, refinanciamento das dívidas com os cofres estaduais.

Esta parece que venha a ser uma fórmula pro futuro: o estado enxugar todas as suas gorduras pra aplicar bem as arrecadações obtidas na sociedade estadual. Aqui, recupero uma frase do secretário de Planejamento, Gustavo Oliveira: “Fizemos nossas escolhas e avançaremos com responsabilidade, diálogo e transparência. A sociedade não suporta mais desmandos e o próximo governo não receberá esqueletos e nem heranças malditas porque é a sociedade quem paga a conta”.

Na minha visão, o que disse o secretário Gustavo é o sentimento coletivo: a gestão pública precisará a cada dia mais sair da improvisação e responder às necessidades dos cidadãos. Aqui entra outra questão de natureza política: medidas duras assim geram desgaste. Mas a História está cheia de exemplos. A sociedade reclama, mas compreende. E dá o devido crédito aos gestores quando as soluções de crise resultam em ganhos permanentes. No meio da tempestade, se há bússola, a viagem fica mais segura. Voltarei ao assunto.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br    www.onofreriberio.com.br

 

 



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